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Tosse

O que é a tosse?
Como funciona o mecanismo da tosse?
Quais são as causas da tosse?
O que é importante na avaliação diagnóstica da tosse?
Quas as complicações da tosse?
Qual o tratamento indicado para a tosse?

O que é a tosse?

A tosse, um dos mais frequentes sintomas do aparelho respiratório, constitui um importante mecanismo de defesa, permitindo a remoção de corpos estranhos e a mobilização de secreções que se acumulem nas vias respiratórias.

Como funciona o mecanismo da tosse?
A tosse é um reflexo com um papel protector fundamental, através do qual são atingidas altas pressões intratorácicas, bem como elevadas velocidades de fluxo aéreo que promovem o movimento do muco e de material estranho em direcção à boca, visando a sua eliminação. O reflexo da tosse pode ser desencadeado por diversos estímulos:

- Mecânicos (inalação de poeiras, corpos estranhos, compressões das vias aéreas…)
- Inflamatórios (laringites, bronquites…)
- Químicos (inalação de fumos, gases irritantes ou tóxicos…)
- Psicogénicos (ansiedade…)

Quais são as causas da tosse?
Na maioria dos casos, a tosse surge durante um período limitado e curto de tempo, estando habitualmente relacionada com infecções respiratórias, nomeadamente de etiologia viral.
Uma tosse persistente pode ser considerada crónica quando apresenta uma duração superior a 3 ou 4 semanas,existindo múltiplas situações que podem estar na sua origem.

Entre as causas mais frequentes de tosse crónica encontram-se as alterações das vias aéreas superiores e dos seios perinasais, nomeadamente rinites e sinusites,bem como a asma brônquica. Outras causas de tosse crónica incluem o refluxo gastro-esfágico, a bronquite crónica, infecções, certas medicações, a exposição a irritantes ambientais, tumores, alterações cardíacas, perturbações psicogénicas, etc. Em certas situações pode existir mais que uma causa responsável pela tosse e as causas mais prováveis podem variar de acordo com o grupo etário do doente.

O que é importante na avaliação diagnóstica da tosse?
Uma tosse persistente deve ser avaliada pelo médico de forma a determinar a sua causa e proporcionar um tratamento direccionado. Para atingir esse objectivo é necessário proceder à avaliação das características da tosse tais como:

- Duração no tempo
- Associação com febre ou outros sintomas (exemplo: pieira, queixas gastro-intestinais…)
- Produção ou não de expectoração e suas características
- Carácter sazonal
- Horário ( exemplo: aparecimento nocturno)

A existência de hábitos tabágicos, exposição a determinadas substâncias ou outras doenças tais como alergias, sinusites etc, pode também orientar para as causas mais prováveis da tosse.

Dependendo da informação obtida no interrogatório e no exame físico, pode estar indicada a realização de exames auxiliares de diagnóstico tais como radiografia de tórax, exames radiológicos dos seios perinasais, testes alergológicos de sensibilidade cutânea, provas de função pulmonar, análises sanguíneas e da expectoração, TAC torácica, avaliação da existência de refluxo gastroesofágico, etc.

Quais as complicações da tosse?
Apesar de constituir um dos principais mecanismos de defesa do aparelho respiratório, a tosse pode tornar-se incómoda para o doente e associar-se a complicações, nomeadamente fadiga, alterações do sono, irritabilidade, dores musculoesqueléticas, incontinência urinária e mesmo situações mais graves tais como perda de consciência ou fractura de costelas.

Qual o tratamento indicado para a tosse?
A tosse pode ser aguda e autolimitada, não necessitando de terapêutica. No caso de ser necessário, o tratamento da tosse vai depender da sua causa específica, sendo portanto da maior importância a identificação da sua origem de forma a eliminar o factor precipitante ou tratar a doença subjacente. Assim, por exemplo, uma tosse relacionada com a asma brônquica deve ser tratada com medicação antiasmática, enquanto que se a tosse fôr devida a sinusite poderão ser utilizados antibióticos. Uma tose induzida por determinada medicação cessa com a interrupção da mesma e uma tosse provocada por refluxo gastro-esofágico melhora com terapêutica específica antirefluxo.

Em alguns casos não é possível a instituição de um tratamento específico, podendo estar indicada por vezes uma terapêutica supressora da tosse com antitússicos, de forma a prevenir complicações e riscos, desde que se verifique que a tosse não está a desempenhar um papel útil para o doente, nomeadamente na eliminação de secreções, uma vez que a acumulação das mesmas nas vias respiratórias interfere com a ventilação e a capacidade de resistir às infecções.Quando a tosse se associa à produção de expectoração uma adequada hidratação e a utilização de expectorantes pode ser benéfica.

Autora: Drª Francisca Carvalho

Apoio Institucional:
Responsabilidade e apoio científico da Sociedade Portuguesa de Alergologia e
Imunologia Clínica
spaic@spaic.pt.
www.spaic.pt

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