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Stress pós-traumático

O que é o stress pós-traumático?
Quem sofre deste distúrbio?
Quais são os sinais de alarme de um stress relacionado com o traumatismo?
Quais os critérios para diagnosticar o stress pós-traumático?
Quais as preocupações em relação às crianças?
Como se trata o stress pós-traumático?

O que é o stress pós-traumático?
O stress pós-traumático é uma forma de ansiedade, que se segue à experiência de um acontecimento particularmente traumático sobre o plano psicológico. A experiência “stressante” é exterior ao indivíduo, fora dos acontecimentos comuns da vida humana, como sejam as situações de guerra, tortura, abuso sexual, catástrofes naturais, desastres provocados pelo homem (explosões, quedas de aviões, acidentes de tráfego,…), situações onde a maioria das pessoas não tem capacidade de desenvolver as reacções mais adequadas. Esta situação pode tornar-se numa doença psiquiátrica crónica, marcada por surtos e remissões. As investigações clínicas apontam para a ocorrência de alterações neurobiológicas do sistema nervoso central e periférico nestes casos.

Quem sofre deste distúrbio?
Em Portugal, um estudo recente (2002) denominado “Avaliação da taxa de ocorrências de stress pós-traumático (PTSD) na população portuguesa” englobando 2606 participantes com uma média de idades de 43 anos, verificou-se que 7,8% dos indivíduos entrevistados sofreram de PTSD ao longo da sua vida, o que poderá fazer prever que na população geral portuguesa este distúrbio possa afectar cerca de 653 945 indivíduos, pelo menos uma vez na vida. Contudo, a prevalência num dado momento foi estimada em 5,3%. Os grupos mais afectados foram: o sexo feminino (ocorreu em 11,4% das mulheres e 4,8% dos homens), o grupo dos 45 aos 65 anos, os viúvos e divorciados.

As domésticas são as que apresentam mais casos (15,5%), seguidas dos desempregados (14%) e trabalhadores não profissionalizados (12%). Cerca de 10,9% dos militares apresentavam este distúrbio, ou seja 66 465 casos se extrapolados para a população geral portuguesa com mais de 18 anos. Os acontecimentos “stressantes” mais frequentemente encontrados foram: morte violenta de familiar ou amigo, ataque físico, acidente grave de viação, violação, abuso sexual antes dos 18 anos e combate.

Quais são os sinais de alarme de um stress relacionado com o traumatismo?
Apesar de muitos sintomas do stress relacionado com traumatismos serem normais depois de um momento traumático, devem ser considerados sinais de alarme quando persistem para além de um mês. Deverá procurar ajuda junto ao seu médico assistente, se sentir alguns destes sintomas:
- pensamentos ou pesadelos relacionados com o acontecimento traumático
- problemas com o sono
- alterações do apetite
- ansiedade, medos, nomeadamente em relação à segurança de pessoas próximas
- períodos prolongados de tristeza, depressão ou perda de energia
- alterações da memória
- choro espontâneo
- evitar locais, actividades ou pessoas que recordem o acidente

Quais são os critérios para diagnosticar o stress pós-traumático?
Os principais critérios cientificamente aceites para o diagnóstico são:

- a existência de uma “situação de stress” – a exposição do indivíduo a um acontecimento catastrófico envolvendo perigo de morte ou ferimento seu ou de outros, durante o qual responde com medo intenso, sensação de impotência e horror.
- a persistência do acontecimento traumático – quando a experiência psicológica mantem–se anos ou mesmo toda a vida, com a capacidade de recriar o pânico, terror, dor e desespero vividos no momento traumático. Estas manifestações ocorrem como pesadelos, flashbacks, fantasias, que poderão ser desencadeados por estímulos visuais ou auditivos relacionados com o trauma.
- o desenvolvimento de estratégias para reduzir a sua exposição – os pacientes desenvolvem estratégias comportamentais, cognitivas ou emocionais de evicção dos estímulos relacionados com o trauma ou de minimização da sua resposta aos mesmos. Estas manifestações podem incluir por exemplo comportamentos semelhantes a fobias, amnésia ou anestesia emocional, que dificulta as relações interpessoais.
- aumento da vigilância e a resposta ao susto exagerada
- a duração deve ser superior a um mês .
- as consequências sociais, ocupacionais ou outras são significativas para o doente.

Geralmente, os pacientes que preenchem estes critérios também apresentam critérios para outros diagnósticos, como: perturbações afectivas, dependência do álcool ou substâncias de abuso, perturbações da ansiedade, do humor ou da personalidade.

Quais as preocupações em relação às crianças?
Os sintomas sentidos pelas crianças podem ser semelhantes aos dos adultos, no entanto, deve-se ter atenção em relação a algumas manifestações que podem ocorrer durante um período de tempo prolongado:
- medo de morrer numa idade precoce
- perda de interesse pelas actividades normais
- sintomas físicos (por ex. dor de cabeça, dor de barriga)
- reacções emocionais súbitas e de grande intensidade
- dificuldade em adormecer e manter um sono continuo
- aumento da vigilância face ao que rodeia a criança
- adopção de comportamentos de crianças mais jovens (ex. chuchar do dedo ou enurese)

Como se trata o stress pós-traumático?
As intervenções terapêuticas mais eficazes são a psicoterapia cognitiva e comportamental e a medicação com antidepressivos como a sertralina ou a paroxetina.
A terapia em grupo é muitas vezes aconselhada para as situações ligeiras a moderadas.
Recentemente, desenvolveu-se alguma controvérsia em relação às intervenções imediatas para os indivíduos com trauma agudo. Algumas investigações recentes têm revelado resultados decepcionantes com a intervenção, em que é dada a oportunidade à pessoa vítima da situação de stress de falar acerca da sua experiência logo após o acontecimento, denominada “critical incident stress debriefing – CISD”. Muitos indivíduos procuram refúgio no álcool ou nas drogas para enfrentarem o traumatismo. É igualmente importante nestes casos, tratar a dependência e os problemas médicos associados.

Autor: Mário Santos

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