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Sarampo

O que é o sarampo?
Qual é a idade mais habitual de aparecimento do sarampo?
O sarampo é uma doença contagiosa?
Ao fim de quanto tempo de contacto com um doente com sarampo aparece a doença se houver contágio?
Em que altura do ano há mais casos de sarampo?
Quais são as manifestações do sarampo?
Uma criança que apresenta manchas na pele, sem febre, pode estar com sarampo?
O sarampo é uma doença benigna?
Quais são as complicações do sarampo?
Para diagnosticar o sarampo são necessárias análises?
Como se trata o sarampo?
O sarampo é uma doença que pode ser evitada?
Há situações em que a vacina do sarampo deva ser administrada antes dos quinze meses?
A vacina do sarampo dá algum tipo de reacção?

SarampoO que é o sarampo?
O sarampo é uma doença infecciosa de evolução aguda, causada por um vírus, o vírus do sarampo.

Qual é a idade mais habitual de aparecimento do sarampo?
Na sua história natural o sarampo é uma doença que afecta sobretudo as crianças. No entanto, nos países em que se fez a introdução da vacina do sarampo, a doença atinge principalmente adolescentes e adultos jovens não imunizados (que não estão protegidos pela vacina).

O sarampo é uma doença contagiosa?
Sim. O sarampo é extremamente contagioso, transmitindo-se de pessoa a pessoa por via respiratória (através das partículas de saliva nos acessos de tosse). Embora o contágio seja fácil exige um contacto físico próximo.

Ao fim de quanto tempo de contacto com um doente com sarampo aparece a doença se houver contágio?
O tempo de aparecimento do sarampo após o contágio (período de incubação) é de oito a doze dias.

Em que altura do ano há mais casos de sarampo?
O sarampo é uma doença que aparece com mais frequência no Inverno e na Primavera.

Quais são as manifestações do sarampo?
O sarampo evolui habitualmente em duas fases distintas, um período chamado «prodrómico» em que há sintomas e sinais inespecíficos, como febre, mal estar, congestão e corrimento nasal, conjuntivite, fotofobia (dificuldade em encarar a luz), tosse seca e rouquidão; e um período «exantemático» que se caracteriza pelo aparecimento de um exantema típico (erupção na pele).

O período prodrómico dura um a quatro dias mas pode prolongar-se até sete dias. É nesta fase que aparecem as «manchas de Koplic» (manchas na face interna da boca, junto aos molares), que ajudam o médico no diagnóstico de sarampo nesta fase inicial, já que são características desta doença.

A segunda fase do sarampo caracteriza-se pelo aparecimento de uma erupção típica constituída por manchas e pápulas de cor vermelho acastanhado, que aparece por volta do quarto dia de doença, progredindo durante três dias da cabeça para os pés. Assim, as manchas aparecem inicialmente atrás das orelhas, na face e no pescoço, e depois espalham-se pelo tronco, braços e pernas, não atingindo as palmas das mãos e plantas dos pés.

O exantema desaparece pela mesma ordem em que apareceu, primeiro na face e pescoço, depois no tronco e, finalmente, nos membros.

Uma criança que apresenta manchas na pele, sem febre, pode estar com sarampo?
Não. Há outras doenças que se acompanham de um exantema (manchas ou borbulhas na pele), sendo particularmente frequente em doenças causadas por vírus. No sarampo há sempre um período inicial de febre, que pode ser elevada (40º - 41º) e que se mantém durante cinco a seis dias. Se a criança apenas tem manchas na pele, sem febre, não se trata de sarampo.

O sarampo é uma doença benigna?
Embora o sarampo seja habitualmente uma doença benigna, auto limitada (cura ao fim de alguns dias sem tratamento específico), podem por vezes surgir complicações graves e até mortais.

Quais são as complicações do sarampo?
As complicações do sarampo são raras em crianças bem alimentadas, mas algumas podem ser graves, como é o caso da encefalite (infecção do cérebro) ou a pneumonia (infecção pulmonar) causados pelo vírus do sarampo.

Além destas complicações causadas pelo próprio vírus , o sarampo pode complicar-se por infecções secundárias causada por bactérias (otite,pneumonia, laringite), neste período em que a criança tem as suas defesas diminuídas pela doença. Estas complicações são mais frequentes que as anteriores e atingem mais as crianças subnutridas.

Há uma complicação grave mas muito rara que aparece meses ou anos depois da doença, atingindo o sistema nervoso de forma progressiva e que, em geral, leva à morte. Esta complicação, chamada Panencefalite Esclerosante Subaguda, parece resultar de uma infecção do cérebro causada pelo vírus do sarampo, que se aloja nesse local durante a fase aguda da doença mantendo-se como «adormecido» por um período longo, até ser reactivado por factores que não são ainda conhecidos.

Para diagnosticar o sarampo são necessárias análises?
Não. Embora existam análises que podem confirmar o diagnóstico de sarampo, este é essencialmente clínico; a base do diagnóstico para o médico são os sintomas e sinais, a sua evolução e a erupção típica da doença.

Como se trata o sarampo?
Embora seja uma doença potencialmente grave, o sarampo, como muitas outras doenças virais, não tem um tratamento específico. As medidas terapêuticas a instituir visam reduzir a febre e aliviar sintomas como a congestão nasal ou a tosse. Para controlar a febre utiliza-se o Paracetamol e /ou o Ibuprofeno.

Como noutras doenças febris a criança deve ser mantida em casa em repouso para sua comodidade, para facilitar a recuperação e para evitar o contágio, mas não é perigoso «apanhar ar» se precisar de ser levada ao médico ou ao hospital, nem tem que estar encerrada num ambiente escuro como por vezes se julga, embora a luz intensa a possa incomodar quando há fotofobia.

Apenas quando surgem complicações (infecções secundárias por bactérias) há indicação para o uso de antibióticos.

O sarampo é uma doença que pode ser evitada?
Sim. Para evitar o aparecimento de sarampo as crianças devem ser vacinadas.

A vacina contra o sarampo conhecida como VASPR ou tríplice vírica, faz parte de uma associação que inclui ainda as vacinas contra a papeira e a rubéola.

Actualmente a vacina contra o sarampo faz parte do calendário de vacinas obrigatórias, sendo administrada aos quinze meses, com uma segunda dose entre os cinco e os seis anos.

As crianças que já tinham mais de seis anos quando se introduziu o actual calendário vacinal, devem ser revacinadas com a VASPR entre os onze e os treze anos como acontecia até aqui.

A importância desta vacina, reside principalmente na possibilidade de prevenir as eventuais complicações do sarampo, já que estas são potencialmente graves e eram uma causa importante de mortalidade nas crianças antes de existir a vacina.

Há situações em que a vacina do sarampo deva ser administrada antes dos quinze meses?
Sim. Em situações em que há epidemias de sarampo é aconselhada a vacinação a crianças a partir dos nove meses de idade, para prevenir a infecção. As crianças mais pequenas, particularmente até aos seis meses de idade, estão protegidas pelos anticorpos transmitidos pela mãe durante a gravidez e o aleitamento materno, se a mãe teve sarampo ou foi vacinada.

A vacina do sarampo dá algum tipo de reacção?
Pode dar. A reacção da vacina do sarampo surge cerca de duas a três semanas após a administração da vacina e consiste num quadro febril de curta duração, acompanhado de uma ligeira erupção na pele.

Autora: Dra Ana Ferrão

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