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Rinite

Rinite alérgica
Tratamento
Rinite ocupacional
Rinite infecciosa
Rinite induzida por medicamentos
Rinite hormonal
Outras causas de rinite
A rinite é uma inflamação da mucosa nasal e constitui uma patologia muito frequente na população. A prevalência estimada na população portuguesa é de 9.55%. Em situações arrastadas e não controladas poderá complicar-se com sinusite, polipose nasal, otite ou asma bronquica. Dependendo do mecanismo de inflamação, consideram-se os seguintes quadros clínicos:

Rinite alérgica
Os alergénios, como os ácaros, fungos, pólens, faneras de animais, látex, entre outros, são a causa mais frequente.
Os sintomas típicos são caracterizados por crises de espirros, congestão e obstrução nasal e corrimento aquoso. A comichão nasal é muito frequente podendo envolver, também a garganta, ouvidos e olhos.
Relativamente à duração dos síntomas, classifica-se em:

Intermitente
Sintomas presentes < 4 dias por semana ou < 4 semanas

Persistente
Sintomas presentes > 4 dias por semana e > 4 semanas
Dependendo dos sintomas e da interferência na qualidade de vida considera-se 3 graus de gravidade:

Ligeira
Sono normal e:
- Sem Iimltaçao nas actividades diárias, desportivas e de tempos livres
- Sem limitação nas actividade laborais e escolares
- Sem sintomas perturbadores

Moderada-Grave
Uma ou mais situações
- Alterações no sono
- Alterações nas actividades diárias, desportlvas e de tempos livres
- Interferência na actividade laboral ou escolar
- Síntomas perturbadores

Em doentes que apresentam sintomas apenas em algumas épocas do ano, os pólens e alguns fungos são as causas mais frequentes.
A duração e intensidade dos sintomas dependem dos ciclos de polinização espedficos e sofrem variações regionais muito importantes. A conjuntivite acompanha, geralmente, estes doentes sendo caracterizada por olho vermelho, lacrimejo, comichão e por vezes sensação de corpo estranho.

Os alergénios do ambiente doméstico como, por exemplo, os ácaros, são a causa mais importante de slntomatologla persistente ao longo de todo o ano.

Os testes cutâneos de alergia permitem identificar, na maioria das vezes, os alergénios causadores de rinite alérgica. As medidas de evicção e redução de carga do agente que desencadeia esta alergia é uma medida prioritárla no controlo dos síntomas.

Tratamento
Para além da evicção alergénica, o tratamento da rinite deverá basear-se na estratégia seguinte:

Anti-hístamínicos: Sob a forma oral, devendo ser preferidos os não sedativos e com maior potência no controlo dos síntomas alérgicos. As formas tópicas em spays intra-nasais podem ter alguma utilidade em situações pontuais.

Anti-Inflamatórlos: os corticosteroides intranasais permitem um controlo da inflamação e apresentam grande segurança nas doses apropriadas. Os anti-Ieucotrienos podem ser administrados em situações muito especificas.

Imunoterapia especifica: As vacinas anti-alérgicas têm uma enorme eficácia desde que instituída correctamente e sob vlgilancia estrita de imunoalergologista.

Outros: os descongestionantes quando preconizados deverão ter um uso muito limitado uma vez que podem condicionar habituação e condicionar outras situações de maior gravidade.

Os vagolíticos intra-nasais são outros fármacos com utilização muito espedfica.

Rinite ocupacional
Os síntomas resultam da exposição a alergénios e/ou substâncias presentes no ambiente profissional ou ocupaclonal. Os síntomas podem ocorrer de forma intermitente ou persistente, resultantes de um mecanismo alérgico clássico ou não alérgico.
As causas mais frequentes incluem: animais de laboratório, cereais, madeiras exóticas, látex e produtos qulmicos diversos.

Rinite infecciosa
Resulta de infecção dos selos da face por vírus, bactérias e outros agentes infecciosos. Consideram-se 4 quadros clínicos: agudo, agudo recorrente, crónico e exacerbações agudas de uma doença crónica.
Os síntomas tlpicos consistem em: corrimento nasal espessado, dor de cabeça e por vezes alterações do equilíbrio.

Rinite induzida por medicamentos
A aspirina e outros anti-inflamatórios não esteroides são uma causa comum de sintomatologla nasal. A sintomatologia caracteriza-se por secreções nasais, aumento dos eosinófilos no sangue, presença frequente de pólipos, sinusite, e asma não alérgica.
Para além da aspirina, os fármacos mais frequentemente reportados a indução de rinite são: reserpina, guanetidina, fentolamina, metildopa, inibidores ECA, alfa-adrenérgicos, betabloqueantes em colírio, doropromazina e contraceptivos orais.
O uso excessivo de descongestionantes é, provavelmente, a causa mais frequente deste tipo de rinite.

Rinite hormonal
Pode ocorrer resultante o cido menstrual, puberdade, gravidez ou decorrente de doenças endocrinológicas: hipotiroidismo e acromegália.

Outras causas de rinite
Irritantes: É uma situação clínica sem causa conhecida, mas condicionada muitas vezes pela inalação de odores muito intensos, fumos, variações de temperatura e alterações súbitas das condições atmosféricas e outros irritantes inespedficos.
Na maioria dos casos os sintomas ocorrem durante todo o ano, sendo característico a congestão e obstrução nasal. A dor de cabeça e o corrimento indicam, geralmente, a associaçao a sinusite.

Rinite eosinofílica não alérgica - NARES: Caracteriza-se corrimento nasal muito intenso, crises de espirros, obstrução, ocasionalmente alterações do olfacto. Os eosinófilos estão presentes nas secreções em número muito expressivo. As variações bruscas de pressão atmosférica agravam frequentemente os síntomas.

Alimentos: A alergia alimentar só, excepcionalmente, se traduz em síntomas isolados de rinite. No entanto algumas bebidas alcoólicas ou especiarias alimentares podem induzir síntomas nasais por mecanismo não alérgico.

Emoções: Podem acompanhar-se de compromisso nasal por estimulação do sistema nervoso vegetativo.

Rinite atrófica: A progressiva atrofia da mucosa e posterior compromisso estrutural ósseo condiciona a presença na cavidade nasal de crostas muito abundantes. A obstrução, odor fétido e alterações pronunciadas do olfacto são a sintomatoiogia acompanhante mais frequente.

Refluxo gastro-esofágico: Na criança pode associar-se com rinite.

Rinite idiopática: Habitualmente, é frequente em doentes com idades compreendidas entre os 40 e 60 anos, apresentando uma reactividade das vias aéreas superiores a estímulos não específicos ambienciais, tais como variações súbitas da temperatura e humidade, exposição a fumo de tabaco e outros odores intensos. O tratamento destas formas de rinite varia com o quadro clfnico em concreto. Os anti-inflamatórios, antibióticos, soluções salinas, descongestionantes e vagolíticos são os medicamentos mais importantes no controlo destes doentes.

Autor: Dr. Celso Pereira

Apoio Institucional:
Responsabilidade e apoio científico da Sociedade Portuguesa de Alergologia e
Imunologia Clínica
spaic@spaic.pt.
www.spaic.pt

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