O que é a próstata?
O que é uma prostatite?
Como é que a prostatite aparece?
Mas então como é que apanhou a infecção?
Como é que a prostatite aparece?
Como é que se confirma um diagnóstico de prostatite?
Como é que se trata uma prostatite?
Conclusões
O que é a próstata? A próstata é uma
glândula do
aparelho genital masculino, localizada à frente do
recto e imediatamente abaixo da
bexiga. É um
órgão bastante pequeno, com cerca de 15-30 gramas, com o tamanho e o aspecto de uma noz. Envolve a parte inicial da
uretra, canal que permite a passagem da
urina desde a bexiga até à
extremidade do pénis.
A próstata é feita principalmente por
tecido muscular e glandular. A sua principal função é produzir uma
secreção que durante o
orgasmo masculino (clímax
sexual) é lançada na uretra através dos chamados ductos prostáticos, pela contracção do tecido muscular prostático. O
esperma, que é produzido pelos
testículos, é igualmente propulsionado para a uretra durante o orgasmo, misturando-se com a secreção prostática no seu trajecto para o exterior.
O que é uma prostatite? Prostatite é o nome que se dá à
inflamação da próstata. Há três tipos de prostatite:
prostatite aguda infecciosa
prostatite crónica infecciosa
prostatite não infecciosa
A prostatite aguda infecciosa é causada por bactérias, necessitando de urgente
tratamento antibiótico. Os seus sintomas têm início súbito e são geralmente severos, incluindo
febre, tremores e ardor miccional. Dos três tipos é a mais fácil de diagnosticar, porque os sintomas imediatamente chamam a atenção do doente e do
médico. Uma visita ao médico ou a um serviço de urgência é
essencial, sendo a hospitalização por vezes necessária. O tratamento, se for precoce, é muito eficaz.
A prostatite crónica é também geralmente causada por bactérias, embora possa também ser devida a
fungos ou parasitas. Do mesmo modo, requer
medicação com
antimicrobianos, mas os resultados são frequentemente maus, não se conseguindo a
cura da
doença. Ao contrário da infecção aguda, os seus sintomas são habitualmente pouco intensos, podendo incluir vontade de urinar frequente, sensação de urgência urinária, ardor ou
dor miccional e eventualmente dor
perineal. Muitas vezes, contudo, só há queixas repetidas de
uretrite (infecção da uretra) ou de
cistite (infecção da bexiga). Se não houver uma história de infecções urinárias, ou pelo menos de uma, não é provável que se trate de uma prostatite crónica infecciosa.
A prostatite não infecciosa é mais frequente do que a prostatite infecciosa. Pode apenas causar sintomas mínimos, semelhantes ao da prostatite crónica infecciosa, mas não é causada por bactérias nem por outros agentes microbianos. A sua verdadeira causa é desconhecida. O tratamento é muitas vezes difícil, já que a
terapêutica antibiótica é ineficaz. São úteis, em alguns casos, tratamentos de acção cientificamente duvidosa mas que conseguem efectiva melhoria das queixas dos doentes.
Como é que a prostatite aparece? Apesar do seu nome, a prostatite infecciosa, tanto aguda como crónica, não é uma doença contagiosa, não podendo ser considerada uma DST (doença sexualmente
transmissível). Desse modo, não pense que se infectou a partir da sua parceira sexual ou que ela pode ser contagiada por si.
Mas então como é que apanhou a infecção? O modo como a próstata pode ser infectada não é muito claro. Sabe-se, contudo, que os agentes microbianos causadores de prostatite geralmente provêem da uretra, por refluxo de urina infectada para o interior dos ductos prostáticos.
Certas condições ou procedimentos médicos aumentam o risco de se contrair uma prostatite. De facto, você passa a ter um risco aumentado de ter uma prostatite se:
Teve recentemente uma instrumentação uretral, por exemplo uma algaliação (a aplicação de um tubo mole e lubrificado que drena a urina existente dentro da bexiga), no decorrer de uma intervenção cirúrgica ou por ter entrado em
retenção aguda da urina;
Tem uma próstata muito aumentada de volume (
hipertrofia benigna da próstata) provocando dificuldade miccional;
Teve recentemente uma infecção urinária;
Tem uma qualquer
malformação congénita do
aparelho urinárioQuais são os sintomas de prostatite? Os sintomas dependem do tipo de prostatite. De facto, pode não notar praticamente nenhuns sintomas ou pode ter queixas tão súbitas e severas que o obriguem a procurar ajuda médica urgente. Os sintomas, quando presentes, podem incluir febre, arrepios, aumento da frequência urinária,
micção difícil, sensação de dor ou ardor miccional, dor perineal (referente ao
períneo, a área entre o
escroto e o anus), dores articulares e musculares,
sangue na urina e
ejaculação dolorosa.
Repare-se que os sintomas de prostatite podem assemelhar-se aos sintomas de outras doenças. Devido às relações de proximidade anatómica entre a uretra, a bexiga e a próstata, situações que afectem qualquer um desses órgãos podem produzir sintomas sobreponíveis.
Assim, por exemplo, a hipertrofia (HBP), o aumento não canceroso do volume prostático, vulgar nos homens com mais de 50 anos, pode produzir sintomas miccionais semelhantes aos da prostatite.
Também a uretrite, aguda ou crónica, pode desencadear sintomas de ardor ou dor uretral parecidos com os da prostatite. O mesmo acontece com a cistite, a infecção bacteriana da bexiga.
Outra situação que também tem alguns dos sintomas comuns é a prostatodínia (próstata dolorosa). É típica dos homens que se mantém longos períodos sentados, como motoristas e empregados de escritório. Os doentes sentem uma incomodativa dor pélvica ou perineal, que, embora possa resultar de um problema prostático, geralmente resulta de uma variedade de outras causas, incluindo espasmos musculares ou
congestão vascular periprostática.
Um termo que o seu médico pode mencionar quando discutir consigo o seu problema prostático é o de prostatose, um termo muito vago e pouco adequado, que significa simplesmente "a condição da próstata".
Como é que se confirma um diagnóstico de prostatite? Se o seu médico suspeitar que você tem uma prostatite ou qualquer outro problema prostático, deve enviá-lo a um
urologista (um médico especializado em doenças do
aparelho urinário e genital masculino) para confirmar o diagnóstico.
O diagnóstico de prostatite é essencialmente
clínico, isto é, baseado nas queixas e sintomas do doente. Contudo, por vezes é necessário confirmar esse diagnóstico, especialmente quando se trata de uma
recorrência da doença. Nesse caso pode ser necessário realizar alguns exames.
A próstata é um órgão
interno, pelo que o médico não a pode observar directamente. Mas pode senti-la através do recto, introduzindo um dedo envolto numa luva de borracha lubrificada. É o chamado toque rectal, que permite dados preciosos sobre a dimensão da glândula, a sua forma, a sua consistência, as eventuais alterações de textura. É um exame apenas um pouco desconfortável, mas que não causa qualquer dor ou dano significativo. É um exame importante, até porque é essencial na detecção precoce do
cancro da próstata, doença que geralmente não provoca qualquer
sintoma.
Um outro exame que pode ser realizado pelo seu urologista é a
massagem prostática, teste que não sendo particularmente doloroso, pode provocar um certo grau de desconforto, especialmente se tiver a próstata com a sensibilidade aumentada. Enquanto procede ao toque rectal, o urologista massaja vigorosamente a próstata, forçando o liquido prostático a passar para a uretra. Esse líquido é depois recolhido após aspersão da uretra ou, em alternativa, colhido junto com a urina do início da primeira micção que se der. O liquido prostático é então analisado com
microscópio, para pesquisa de sinais de inflamação e infecção. A colheita de urina pelo método dos 3 frascos é por vezes usado para pesquisar a presença de glóbulos brancos e bactérias. Se esse exame lhe for pedido, vai ter de urinar para três frascos separados. O primeiro vai recolher a primeira porção do jacto urinário, que arrastará as células e restos celulares que estão na uretra (pesquisa uretral); o segundo frasco recolhe o meio do
fluxo urinário, com a urina que estava dentro da bexiga (pesquisa
vesical). Com a bexiga vazia o urologista procederá à massagem prostática. O terceiro frasco será preenchido pelo primeiro jacto de urina que conseguir fazer, que arrastará a secreção prostática (pesquisa prostática). O exame microscópico da urina dos frascos ajudará o médico a determinar se o seu problema é uma inflamação ou uma infecção e se é originado na uretra, bexiga ou próstata. Se uma infecção estiver presente, será possível identificar a
bactéria em causa e qual o antibiótico mais eficaz.
Como é que se trata uma prostatite? O tratamento depende do tipo de prostatite que tenha. Para tratar uma prostatite aguda infecciosa é preciso uma terapêutica antibiótica durante 7 a 14 dias. Quase todas as infecções agudas ficam curadas com esse tratamento. Medicamentos analgésicos devem também ser administrados, para aliviar a dor e o desconforto. Embora raramente, a hospitalização pode ser necessária.
Se tiver uma prostatite crónica infecciosa, pode precisar de fazer
antibióticos por um período muito maior, entre 4 a 12 semanas. Mesmo assim, só cerca de 60% dos doentes ficam curados com este tratamento. Nos casos que não respondem à terapêutica, um esquema com antibiótico em baixa
dose e por um longo período pode ser a única maneira de aliviar os sintomas. Em alguns casos pode ser necessário a remoção cirúrgica da próstata, geralmente feita com técnicas endoscópicas, que utilizam a própria uretra como via de
acesso, dispensando o desconforto de uma
incisão na parede
abdominal.
Se você sofrer de uma prostatite não infecciosa não precisa de antibióticos, mas pode necessitar de outro tipo de medicamentos. Por exemplo, os alfabloqueantes, drogas que relaxam o tecido muscular prostático e reduzem a dificuldade miccional, podem ter bastante êxito. Banhos de
semicúpio ou uma
dieta sem picantes,
álcool ou café também podem aliviar os seus sintomas. Embora não haja evidência científica que demonstrem a eficácia destes "remédios caseiros", eles não oferecem riscos, sendo certo que alguns doentes ficam mais aliviados com a sua aplicação.
Conclusões Deve ter em
mente as seguintes ideias:
Um correcto diagnóstico é a chave do tratamento da prostatite;
O tratamento deve ser sempre feito, mesmo quando não tenha importantes queixas ou sintomas;
A prostatite é uma doença tratável. Mesmo nos casos em que ela não é curável, você pode ficar aliviado dos seus sintomas durante longos períodos, desde que faça os tratamentos que lhe forem prescritos pelo seu urologista;
Não sendo a prostatite uma doença contagiosa, pode ter uma vida pessoal e social completamente normal, nomeadamente continuando a ter relações sexuais;
Ter uma prostatite não aumenta o seu risco de ter outras doenças prostáticas, nomeadamente cancro.
Autoria da Associação Portuguesa de Urologia
www.apurologia.pt