|
importância que atribuímos à aparência física. Mas, ao longo dos tempos, de país para país e de cultura para cultura, essa noção de peso ideal tem sofrido bastantes alterações. Se há algumas décadas atrás a sociedade valorizava um tipo de mulher com formas mais formosas, passou-se para o oposto com a extrema magreza tornou -se a tendência predominante que as adolescentes de todo o Mundo idealizavam como estereótipo de beleza.
Actualmente, começa a existir um certo equilíbrio entre os dois ideais de beleza. Assim, preconiza-se que as pessoas devem ter um corpo harmonioso e atlético, devem ser magras, mas não de forma excessiva, com prioridade absoluta aos hábitos alimentares saudáveis, uma dieta variada, à medida das suas necessidades energéticas.
Contudo, é importante referir que a obesidade e a magreza excessiva não podem ser apenas atribuídas às tendências, essa seria uma perspectiva demasiado redutora. Há muitos outros factores, de natureza diversa - cultural, económica e social, por exemplo - que desempenham um papel de suma importância nestas matérias. Subjacente a estas questões está, como não podia deixar de ser, o tipo de hábitos alimentares que as pessoas praticam, os estilos de vida (mais sedentários ou mais activos), a herança genética e o estado de saúde, pois são estes que condicionam, em grande parte, o aspecto físico.
Físicos
Os aspectos físicos são fundamentais para se determinar o peso saudável de cada indivíduo, nomeadamente, a altura, o sexo, a idade e o tipo, mas o estado de saúde é um factor de extrema importância.
Como é do conhecimento geral, o peso sofre variações à medida que os anos vão passam. Assim, em relação aos bebés e crianças, espera-se que estes ganhem constantemente peso e cresçam muito (especialmente durante
o primeiro ano de vida). Na adolescência, já podem existir algumas oscilações de peso, ganhos e perdas, tendo em conta o ritmo de crescimento de cada jovem.
É necessário ressalvar, durante os períodos de crescimento, o organismo necessita de consumir mais energia e só em casos extremos é aconselhável fazer controlos de peso através de dietas alimentares. No entanto, os hábitos alimentares saudáveis devem ser criados desde a infância. A partir da idade adulta, consome-se cada vez menos calorias, pois a nossa vida torna-se, gradualmente, mais sedentária. Assim, por exemplo, se aos 35 anos precisamos de uma média diária de 2500 calorias, que são totalmente consumidas, dez anos depois, esse valor calórico já é excessivo, pois entretanto criámos hábitos mais sedentários e já não conseguimos queimar todas as calorias ingeridas. Essa é uma das razões que faz com que haja uma tendência para as pessoas começarem a ganhar peso na meia-idade.
No que diz respeito ao sexo, os homens são, em média, mais pesados do que as mulheres, pois possuem mais massa muscular e menos tecidos adiposos.
Mas o peso adequado depende muito do tipo físico de cada indivíduo. Conhece, com certeza, pessoas que, depois de uma dieta de emagrecimento, conseguiram atingir o peso que é, teoricamente, ideal para elas, mas não parecem estar bem: ou porque ficaram com as ancas demasiado estreitas, as pernas demasiado finas ou os ossos do rosto demasiado evidentes.
Isso deve-se ao facto de a maioria das pessoas não engordar ou emagrecer de forma proporcional em todas as partes do corpo. Por isso, e nunca é de mais relembrar, cada pessoa é um caso, o que serve para os outros pode não ser bom para si.
Psicológicos
o Homem é o único ser vivo cujo peso é constantemente influenciado por factores de ordem psicológica. Estes têm um papel determinante, sobre tudo na tendência para o excesso de peso. Por exemplo, se uma criança for habituada pela mãe a associar a ideia de comer (em especial um doce) a uma gratificação ou consolo, em adulta sentirá a necessidade de comer sempre que se sinta carente.
Mas as interacções entre o peso e a actividade psíquica são muito mais profundas e estáveis: uma forte emoção de tristeza, medo ou angústia podem «bloquear» o estômago, um ligeiro mas contínuo estado de ansiedade pode conduzir à perda de peso e a depressão tanto pode originar um aumento excessivo como uma diminuição do mesmo.
A anorexia e a bulimia - cada vez mais típicas entre os adolescentes (especialmente entre os 14 e os 30 anos) – são distúrbios alimentares graves, motivados por razões de ordem psicológica. No caso da anorexia, a pessoa rejeita completamente a comida; na bulimia, por seu lado, come compulsivamente, mas induz os vómitos de seguida.
Estes distúrbios podem começar da forma mais inesperada: um dia, olha para o espelho e descobre, subitamente, que a imagem que este lhe devolve é a de uma pessoa desconhecida, que precisa de perder peso. A grande ansiedade provocada pela sua imagem obesa - quer esta seja real ou imaginária - podem ser suficientes para desencadear todo o processo, afectando a saúde em termos globais e causando depressões.
Saúde
É correcto afirmar que o nosso organismo detecta quais são as condições necessárias para seu bom funcionamento e mantém-nas espontaneamente. Assim, quando, por exemplo, devido a problemas de saúde temos de nos manter inactivos durante algum tempo, o nosso apetite diminui. Pelo contrário, quando o consumo calórico é mais intenso, a necessidade de alimento, aumenta imediatamente.
Existem igualmente factores de natureza orgânica que influenciam o peso, como é o caso da menopausa, da gravidez e, de algumas doenças, como o hipertireoidismo ou a diabetes.
Alimentação
Como é evidente, o peso sofre variações de acordo com a alimentação realizada diariamente. Não tanta importância a quantidade, mas sim a qualidade dos alimentos ingeridos, isto é, estes serem mais ou menos calóricos,
Variando embora de composição ao longo dos anos, os regimes alimentares têm-se tornado hipercalóricos, com sobrecarga de gorduras e açúcar. Estes erros alimentares provocam problemas de saúde bastante graves, como a obesidade e ainda que possa parecer paradoxal, por arrasto, podem surgir
as anorexias nervosas e as bulimias, para além de outras complicações.
Daí a importância de seguir uma dieta alimentar equilibrada, com base nas doses aconselhadas nos diferentes níveis da Pirâmide dos Alimentos.
Dependendo da combinação diária que fizer dessas doses de alimentos, terá um aporte de energias que varia entre as 1600 e as 2800 calorias diárias - os valores recomendados para uma dieta alimentar saudável.
Quanto maior for o consumo energético de um indivíduo, maior é a probabilidade de este não vir a ter problemas de excesso de peso. Por outro lado, se o seu consumo de energia é pouco significante, manifesta-se a tendência para engordar. Isto deve-se ao facto de os alimentos serem medidos em calorias: o que comemos favorece a formação de células adiposas, a actividade física, por seu lado, beneficia a eliminação dos adipócitos. Se há um desequilíbrio entre a energia que é absorvida e a que é consumida, existem variações de peso.
As energias absorvidas podem ser consumidas de duas formas: através do metabolismo basal, que consome cerca de metade dessas energias, e em função da actividade do indivíduo, isto é, varia de acordo com uma vida mais ou menos sedentária: o trabalho, o esforço físico, a prática de desporto, andar ou não a pé, o número de horas que fica sentado em frente à televisão ou do computador, etc.
Assim, enquanto uma pessoa com um estilo de vida mais sedentário consome cerca de 20 a 30% de energia na sua actividade diária, uma pessoa mais activa despende 40 a 50%.
CONSUMO DIÁRIO DE CALORIAS
(necessidades energéticas em fun ção do sexo, altura e actividade físíca)
MULHER
|
Altura |
Pouco activa |
Activa |
Muito activa |
|
1,50m |
1450 |
1800 |
2150 |
|
1,53m |
1500 |
1900 |
2300 |
|
1,55m |
1550 |
1950 |
2350 |
|
1,58m |
1600 |
2000 |
2400 |
|
1,60m |
1650 |
2100 |
2500 |
|
1,63m |
1700 |
2150 |
2550 |
|
1,68m |
1800 |
2300 |
2750 |
|
1,70m |
1850 |
2350 |
2800 |
|
1,73m |
1950 |
2400 |
2900 |
|
1,75m |
2000 |
2500 |
3000 |
|
1,78m |
2050 |
2550 |
3050 |
|
1,80m |
2100 |
2600 |
3100 |
HOMEM
|
Altura |
Pouco activa |
Activa |
Muito activa |
|
1,60m |
1850 |
2300 |
2750 |
|
1,63m |
1900 |
2400 |
2850 |
|
1,65m |
1950 |
2450 |
2900 |
|
1,68m |
2050 |
2550 |
3050 |
|
1,70m |
2100 |
2600 |
3100 |
|
1,73m |
2150 |
2700 |
3200 |
|
1,75m |
2200 |
2750 |
3300 |
|
1,78m |
2250 |
2850 |
3400 |
|
1,80m |
2350 |
2900 |
3500 |
|
1,83m |
2400 |
3000 |
3600 |
|
1,85m |
2450 |
3050 |
3650 |
|
1,88m |
2500 |
3150 |
3750 |
|
1,90m |
2550 |
3200 |
3800 |
O Peso Saudável
A tentativa de atingir o peso ideal constitui um autêntico martírio para a maioria das pessoas, gordas ou magras.
Na generalidade dos casos, quando o organismo se afasta do peso saudável, isso não acontece por razões de ordem fisiológica ou por falha nos mecanismos biológicos, mas sim, devido a maus hábitos alimentares. Sucede, então, que se come tanto e tão mal, que o organismo, não obstante a defesa que com os seus automatismos, não consegue manter o peso constante e, consequentemente, a sua boa forma física.
Pode-se dizer que atingimos o peso ideal quando nos sentimos em forma. Mas, conforme referido, isto varia de indivíduo para indivíduo e depende da constituição física de cada indivíduo. Contudo, se não se sentir bem consigo mesmo e verificar que tem peso em excesso, não desanime e encare o problema de frente.
Em todas estas situações, é evidente que existem, à partida, dois objectivos indispensáveis: o primeiro é o de determinar, com o maior rigor possível, o seu peso saudável; o segundo é o de tornar, imediatamente, as medidas necessárias para adequar o peso real àquele que está estabelecido como o mais adequado para a sua estatura.
Tenha, no entanto, sempre em atenção que o peso que as pessoas consideram ser uma meta a atingir não é, na maior parte das vezes, o peso ideal que devem ter, de forma a garantir uma vida saudável.
Deste modo, antes de recorrer a qualquer dieta rápida de emagrecimento, deve consultar um nutricionista.
Este poderá aconselhá-lo sobre a melhor maneira de corrigir os erros presentes na sua alimentação e sobre a forma de manter urna dieta saudável, à medida das necessidades energéticas do seu organismo.
Apesar de não se poder dizer que há um peso ideal absolutamente determinado ao grama para cada indivíduo, há no entanto, formas de calcular o intervalo de pesos saudáveis, conhecidos como pesos de referência. Obtém-se, não um único mas diversos valores, com um limite máximo e um mínimo.
Conheça agora quais são os métodos usualmente utilizados para fazer os cálculos do peso saudável.
INDICE MASSA CORPORAL
O método padrão mais popular para identificar a percentagem de massa gorda no corpo de um indivíduo é o Índice de Massa Corporal (IMC).
O seu cálculo obtém-se através da divisão do peso, em quilos, pela altura (metros) ao quadrado.
Quanto mais elevado for o resultado do IMC, maior será o grau de excesso de peso que possui:
• Um IMC demasiado baixo indica que tem uma quantidade bastante reduzida de gordura corporal. Para os desportistas, isto é desejável, de outra forma, pode significar um grau reduzido de imunidade às doenças. Se o seu IMC é baixo (inferior a 18,5), tente ganhar peso, coma mais e faça exercícios, para aumentar a massa muscular.
• Um IMC saudável (entre 18,5 e 24,9) significa que tem uma quantidade de massa gorda adequada para a sua idade.
• Já um índice superior a 30 indica que tem demasiadas gorduras, o que coloca em risco de vir a sofrer de doenças cardíacas, diabetes, hipertensão, acidente vascular cerebral, fígado gordo, gota e de alguns tipos de cancro. Se for este o seu caso, deve tentar perder peso, reduzindo a quantidade de comida às refeições e praticando exercício físico.
Mas é importante referir que este método tem algumas limitações, só é aplicável a maiores de 18 anos e não pode ser usado para as mulheres grávidas ou a amamentar.