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Existe risco de contágio?
As infecções urinárias não são contagiosas, e não se "apanham" nos sanitários, como se deduz pelo que acima foi explicado, embora esses receios sejam comuns entre muitas pessoas. Também não são doenças de transmissão sexual, embora a vida sexual seja um factor predisponente no sexo feminino.
Que outros factores podem favorecer a manutenção e o agravamento das infecções urinárias?
Para além dos aspectos causais acima referidos, poderão eventualmente existir factores de manutenção da infecção urinária, como as doenças que provocam obstrução e estase urinárias, o refluxo da urina da bexiga para os rins, os cálculos (pedras), corpos estranhos (incluindo algálias), tumores e alterações do funcionamento da bexiga; e poderão também existir doenças que são factores de agravamento, como as doenças que causam imunodepressão, a diabetes e o abuso de analgésicos, e a obstrução, estase e refluxo urinários, os quais podem condicionar, para além de sintomas de maior gravidade, consequências importantes para a função renal e para outros departamentos do organismo.
Na infância, enquanto não está completo o crescimento do aparelho urinário, as infecções urinárias podem ter um significado muito mais grave, não só porque frequentemente têm factores predisponentes, de manutenção e de agravamento associados - malformações congénitas não imediatamente detectáveis - mas também porque as consequências de uma infecção num rim em crescimento têm algumas vezes outra amplitude e perigosidade.
Na mulher grávida as infecções urinárias são mais frequentes e muitas vezes, na sua fase inicial, sem quaisquer sintomas, podendo ter, em alguns casos, consequências graves para a mulher grávida ou para o feto, com maior frequência de infecções febris severas e possivelmente de partos prematuros.
No adulto masculino as infecções urinárias têm quase sempre um factor predisponente obstrutivo e um componente de prostatite, frequentemente com infecção febril severa.
Por outro lado, em todas as idades e em ambos os sexos, as infecções urinárias causadas por bactérias que alcalinizam a urina, nomeadamente alguns Proteus, porque provocam a formação de cálculos (litíase), criam um círculo vicioso infecção - litíase que pode ser extremamente perigoso, porque é destruidor do órgão renal.
Quais os sintomas de uma infecção urinária?
Normalmente a infecção acompanha-se de sintomas que levam o doente ao médico. Se é a bexiga o órgão atingido, há um desconforto ou peso no baixo ventre, dor e/ou ardor a urinar, necessidade de urinar mais frequentemente e em pequenas quantidades, por vezes com dificuldade, e a urina está turva (suja) e algumas vezes muito mal cheirosa. Raramente há febre. Se é o rim que é atingido, há muitas vezes dor na região lombar, que pode simular cólica, e febre elevada.
No homem, a próstata é muitas vezes sede de infecção, levando a desconforto na região do baixo ventre, dificuldade e ardor a urinar e aumento da frequência das micções, com urina turva. Muitas vezes há febre elevada, arrepios e dores no corpo, confundindo-se com gripe ou infecção de outra origem.
As infecções urinárias nos bebés, ou crianças pequenas, muitas vezes cursam com sintomas vagos, como falta de apetite, atraso no desenvolvimento, febre baixa e irritabilidade anormal.
A infecção urinária pode, contudo, não dar sintomas e sinais, e o seu médico descobrí-la apenas quando executa análises urinárias de rotina.
Por outro lado, há casos em que existem sintomas que podem simular infecção urinária, nomeadamente da bexiga, mas em que, na realidade, não existem micróbios. São situações de inflamação, causada por outras razões de origem variada, mas que não a bacteriana.
Como fazer quando se suspeita haver uma infecção urinária?
Deve-se consultar o médico, que irá confirmar a presença de infecção urinária através de uma análise bacteriológica de urina. Esta análise será positiva quando existe um número de bactérias, por mililitro de urina mictada, clinicamente significativo, e inclui a identificação da estirpe bacteriana e um teste de sensibilidade aos antibióticos. Por vezes, é necessária a realização de outras análises, de exames imagiológicos (ecografias e radiografias) e eventualmente de outros exames, para descobrir factores predisponentes, de manutenção, ou de agravamento, e para localizar a infecção e avaliar as suas consequências. Dá-se então início ao tratamento.