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Imunoterapia Específica

Introdução
Administração
Vias de Administração
Benefícios
Efeitos Adversos

Introdução
A Imunoterapia Específica ou Vacina de Alergia consiste na administração de doses progressivamente crescentes e a intervalos regulares de um extracto alergénico por um período de alguns anos (normalmente 3 a 5 anos). Esta forma de tratamento reduz os sintomas que ocorrem após a exposição às substâncias a que se é alérgico, podendo esta melhoria ser explicada pelo aparecimento de anticorpos protectores e/ou pela redução da activação de várias células que são responsáveis pela alergia, sendo normalmente acompanhada de diminuição da intensidade dos resultados dos testes cutâneos e das análises específicas da alergia, que poderão ser efectuados no decurso da Imunoterapia para controlar a sua evolução.

Administração
A vacina deve ser conservada no frigorífico (4ºC) distante da área de congelação. Deve ser administrada em braços alternados, a meia distância entre o ombro e cotovelo, por via subcutânea lenta. O doente deve permanecer entre 30 a 60 minutos no local de administração da vacina, no qual deve existir um médico presente. Não pressionar o local da inoculação após a picada e evitar esforço físico nas 12 horas subsequentes. A vacina não deve ser administrada em caso de doença infecciosa concomitante, se existirem sintomas intensos da doença alérgica de base ou se a dose anterior se tiver acompanhado de reacção significativa. Nestes casos deve-se consultar o Alergologista para acerto do esquema terapêutico.

A gravidez não é uma contraindicação durante o tratamento,mas deverá observar- se uma vigilância mais rigorosa e ajuste de doses.

Em todas as situações a administração deve sempre ser regular para o seu efeito benéfico ser máximo.

Num período inicial, a vacina é administrada em doses crescentes, iniciando-se com uma pequena quantidade do frasco menos concentrado e progredindo- se, normalmente a intervalos semanais até se atingir a dose de manutenção do frasco mais concentrado. Esta dose pode variar consoante a tolerância individual, sendo atingida em geral entre dois a quatro meses após o início da vacina. A dose de manutenção deverá depois ser administrada mensalmente até o seu alergologista a decidir parar. É absolutamente proibida a medicação concomitante com beta-bloqueantes (que são uns dos medicamentos frequentemente usados para o tratamento de taquicárdia ou hipertensão).

Vias de Administração
A mais frequente é a injectável, por via sub-cutânea, que é já praticada há mais de 90 anos. Recentemente tem-se reconhecido eficácia significativa a formas não injectáveis como a sub-lingual ou a intra-nasal.

Benefícios
A Imunoterapia específica é o único tratamento que pode alterar o curso natural da doença alérgica, sendo possível obter benefícios que se mantém por alguns anos após a paragem das vacinas. No entanto, as vacinas deverão ser conjugadas com estratégias eficazes de evitar o contacto com os estímulos alérgicos e, eventualmente, com medicamentos adequados quer para a prevenção quer para o alívio dos sintomas. São esperáveis muito bons resultados com a imunoterapia para pólens de gramíneas ou ervas e bons resultados com a imunoterapia para pólens de árvores ou ácaros. Nalguns casos poderá ser prescrita vacina para fungos mas a sua eficácia ainda não está tão bem estabelecida como para os alergénios anteriores.

Efeitos Adversos
Uma vez que a vacina contém as substâncias a que a pessoa é alérgica, existe sempre o potencial risco de a sua administração desencadear uma reacção alérgica. Estas podem ser locais ou gerais; as locais ocorrem em menos de 5 a 10% das administrações e consistem no aparecimento no local da picada de desconforto, calor, comichão e inchaço. O seu tratamento consiste na aplicação local de gelo, de creme contendo corticosteróides e/ou antihistamínicos orais. As reacções gerais ocorrem em menos de 0,5% dos casos, aparecem fóra do local da picada e podem incluir crises de urticária ou comichão generalizada, rinite, asma ou edema da glote, podendo acompanhar-se raramente de malestar geral, hipotensão ou perda de consciência. Apesar de excepcionalmente raras, já foram descritas mortes após a administração de vacinas de alergia. Todas estas reacções ocorrem mais frequentemente nos primeiros 20 minutos após a administração e daí a importância da vigilância clínica neste período. Deverão ser comunicadas ao alergologista quaisquer reacções à vacina para que se possa adequar o esquema da vacina à tolerância individual, evitando-se assim a ocorrência de reacções graves. As vacinas não injectáveis têm uma taxa de reacções adversas cerca de 50 a 100 vezes menor que as vacinas injectáveis.

Em caso de qualquer dúvida contacte o seu Alergologista.

Dr. Manuel Branco Ferreira

Apoio Institucional:
Responsabilidade e apoio científico da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica
spaic@spaic.pt
www.spaic.pt

 

 

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