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O que é a impotência?
A impotência é muito comum?
Como ocorre uma erecção?
Quais são as causas da impotência?
Onde posso obter ajuda?
E a seguir?
Quais os exames básicos?
Deverão fazer-se outros exames?
Quais os tratamentos disponíveis?
Que tratamento devo usar?
Em conclusão
O que é a impotência? A impotência é a capacidade de manter uma erecção suficientemente rígida e que dure o tempo necessário para permitir uma relação sexual. Não é a mesma coisa que infertilidade ou que ejaculação precoce. A impotência pode ocorrer em qualquer idade, apesar de ser mais comum a partir dos 40 anos. Existem alterações evidentes ao longo do envelhecimento do homem. É necessário mais tempo para se sentir estimulado, o pénis necessita de uma estimulação mais directa e não fica tão rígido. Qualquer distracção pode levar à perda da erecção e o clímax (orgasmo) é geralmente menos intenso.
A impotência é muito comum?
Todos os homens, alguma vez durante a sua vida, têm dificuldade em atingir erecções especialmente quando cansados, em stress, sob a influência do álcool ou durante uma doença grave. A impotência persistente não é vulgar nos homens novos, mas começa a ter uma importância crescente a partir dos 40 anos e cerca de 30% dos homens com idade compreendidas entre os 40 e os 70 anos sofrem de múltiplos factores, tais como, o tabaco, a diabetes, pressão arterial elevada, doença cardíaca, alterações nos níveis de colesterol, depressão e muitos medicamentos utilizados no tratamento destas doenças.
Como ocorre uma erecção?
Quando um homem é estimulado, o pénis muda de uma estado flácido (mole) para um outro tumescente em que também aumenta de volume e, finalmente, para um estado de engurgitação completa (duro ou rijo). Estas fases ocorrem rapidamente e envolvem o cérebro, a espinal medula, os vasos sanguíneos, os nervos, as hormonas e o tecido esponjoso do pénis (músculo cavernoso). Para um homem manter a erecção deverá ser estimulado pelo toque, visão, pensamentos, cheiros, sons ou uma combinação destes. Estas mensagens são enviadas através da espinal medula para os nervos penianos, permitindo um aumento do fluxo sanguíneo ao pénis. Este aumento sanguíneo faz com que o pénis aumente de volume e que o sangue fique retido pelo relaxamento do músculo peniano. A erecção mantém-se até que se dê a ejaculação ou que o interesse desapareça. Nessa altura, o processo reverte-se e o pénis volta a ficar flácido. Após a ejaculação é necessário que passe algum tempo antes do homem conseguir obter outra erecção.
Quais são as causas da impotência?
As causas da impotência podem ser divididas em cinco grupos:
Causas vasculares: são muito vulgares e resultam da incapacidade do sangue afluir ao pénis e aí ficar retido. Os factores de risco para as causas vasculares são o tabaco, a pressão arterial elevada, a diabetes, a doença coronária e as alterações dos níveis do colesterol.
Causas neurológicas: resultam da interrupção da mensagem enviada do cérebro ao pénis e são quase sempre óbvias: lesão medular, esclerose múltipla e cirurgia pélvica radical.
Causas hormonais: são raras mas podem ser devidas a falta de hormonas sexuais masculinas.
Causas psicológicas: nestes casos, o mecanismo peniano encontra-se normal mas a erecção é inibida por problemas psicológicos que podem variar entre a simples ansiedade (o medo de não conseguir obter uma erecção) a problemas na relação, depressão ou alterações psicológicas. O stress, por que razão for, pode condenar qualquer performance sexual.
Medicamentos: Vários medicamentos, especialmente os utilizados no tratamento da hipertensão, da doença cardíaca e de alterações psiquiátricas, podem interferir na capacidade de obter erecções.
Onde posso obter ajuda?
Na maioria dos países deverá começar por consultar o seu médico de família, que poderá estar apto a ajudá-lo. Se esse não for o caso, deverá enviá-lo a um especialista neste tipo de problemas.
E a seguir?
A primeira ida ao médico é geralmente o passo mais difícil. Ele terá que ter a perfeita noção do seu problema e por isso não lhe deverá esconder qualquer tipo de informação que possa vir a afectar o tratamento. Deve lembrar-se que ele está habituado a ouvir e a tratar problemas sexuais e você deverá estar à vontade para discutir esses assuntos. O médico poderá fazer o diagnóstico através da história clínica e do exame físico, apesar de provavelmente querer que faça alguns exames. É aconselhável que a sua companheira vá consigo à consulta. Alguns doentes poderão necessitar de exames mais detalhados mas, geralmente estes são necessários em doentes mais novos e com problemas específicos.
Quais os exames básicos?
São poucos e consistem, na sua maioria, na pesquisa de glucose (açúcar) no sangue ou urina, para diagnosticar diabetes. É também conveniente avaliar os níveis de testosterona (hormona sexual masculina), especialmente quando a impotência está associada à perda de desejo sexual.
Deverão fazer-se outros exames?
A maior parte dos homens não necessita de exames adicionais e estes só serão realizados quando as circunstâncias, caso a caso, o exigirem.
A monitorização peniana durante o sono permite ao médico determinar a presença e a qualidade da erecção. Todos os homens têm, normalmente, 3 a 5 erecções durante o sono.
Se o doente sofrer de dificuldades psicológicas com a função sexual obterá na mesma erecções rígidas durante o sono, enquanto que se o problema for físico as erecções serão em menor número e de menor qualidade. Este teste permitirá ao médico fazer a diferenciação entre causas psicológicas e físicas.
Um teste simples para determinar a existência de problemas físicos envolve a injecção de fármacos específicos no pénis. Estes fármacos melhoram a circulação sanguínea e, geralmente, resultam numa erecção se não existirem alterações do fluxo sanguíneo.
O Eco-Doppler a cores é o exame mais científico para a identificação de alterações do fluxo sanguíneo no pénis. Este teste utiliza ondas sonoras para mostrar a imagem dos vasos sanguíneos no écran.
Os exames radiológocos do pénis só são necessários em homens novos, onde a hipótese de cirurgia reconstrutiva é considerada. Geralmente não são necessários mais exames.
Quais os tratamentos disponíveis?
Aconselhamento – muitos homens que sofrem de impotência ser afectados psicologicamente, mesmo quando a causa é de origem física. O aconselhamento pode ajudá-lo assim como à sua parceira, a falar acerca do problema e mesmo ultrapassá-lo. Pode também transmitir-lhe segurança e avaliar a tensão na sua relação. O aconselhamento é pedido para a maior parte dos homens jovens (com menos de 40 anos) uma vez que raramente a causa dos seus problemas é de origem física.
Terapêutica hormonal– somente uma minoria de homens sofre de problemas hormonais e estes têm, geralmente, uma libido diminuída. É fácil fazer terapêutica de substituição hormonal com adesivos, comprimidos ou injecções. Em casos raros, os doentes que sofrem de tumor pituitário podem necessitar de terapêutica adicional.
Medicação oral – o sildenafil () é o primeiro comprimido realmente eficaz no tratamento de muitos homens impotentes. Actua directamente sobre o pénis de forma a aumentar o fornecimento de sangue e facilita a manutenção da erecção. Melhora a erecção em cerca de 40-80% dos homens, dependendo da impotência. Não aumenta o desejo sexual. Pode produzir efeitos secundários, como por exemplo, cefaleias (15%), rubores (10%), perturbações gastrintestinais (7%) ou alterações visuais (3%) e nunca deverá ser tomado por homens com uma doença oftalmológica rara chamada retinite pigmentosa. Homens medicados com nitratos, normalmente receitados para problemas coronários, ta,bem não devem ser medicados com sildenafil. Antes do início do tratamento deverá ser sempre pedido aconselhamento.
As terapêuticas orais anteriores não tiveram grande sucesso (a Yohimbina, por exemplo) apesar de desenvolvimentos recentes indicarem que outros comprimidos poderão estar disponíveis nos próximos anos.
Administração transuretra de Alprostadil – um sistema especial, o sistema médico-uretarl para a erecção (MUSE) é apontado para a administração local do medicamento ao pénis através da uretra. Esta forma de tratamento envolve a inserção de um pequeno cilindro de plástico através da uretra com a introdução de um comprimido de alprostadil. Terá que urinar imediatamente antes para permitir a lubrificação e também para auxiliara absorção do fármaco. O composto activo entra no pénis de forma a produzir uma erecção. São necessários 10 a 15 minutos para produzir uma erecção e este método é eficaz em 43% dos doentes, sendo muitas vezes acompanhado por uma sensação de queimadura na uretra. Um terço dos doentes sente desconforto e 5% têm pequenas hemorragias do tracto urinário. Devem utilizar-se preservativos sempre que a parceira possa engravidar ou esteja já grávida.
Injecção intra-cavernosa – uma dose específica do fármaco é injectada directamente no pénis através de uma agulha muito fina. A injecção provoca os acontecimentos físicos normais que iniciam uma erecção espontânea. Esta técnica é facilmente apreendida pelo doente para ser utilizada em casa e será o médico a determinar qual a dose indicada para cada doente.
O doente injecta o fármaco 10 a 15 minutos antes da actividade sexual e a dose é ajustada de forma a que a erecção dure cerca de uma hora. A erecção não deverá durar mais de quatro horas e se isso acontecer deverá consultar o seu médico de imediato! Durante a erecção alguns doentes podem sentir dores no pénis e existe um risco mínimo de escoriações com o uso a longo prazo. A papaverina foi o primeiro fármaco a ser utilizado nestas injecções e também já foi utilizada em combinação com a fentolamina e o alprostadil. O alprostadil é o mais seguro.
Aparelhos de vácuo– este tratamento utiliza uma bomba e um cilindro para criar vácuo à volta do pénis de forma a que ele engurgite. O cilindro de plástico é colocado sobre o pénis e contra o corpo, utilizando gel lubrificante para selar. Uma bomba operada manualmente ou por pilhas é utilizada para retirar o ar do cilindro e obrigar o sangue a entrar no pénis e a produzir rigidez. Retira-se então um elástico do cilindro e coloca-se na base do pénis de forma a não permitir a saída do sangue e a manter a erecção. O cilindro é então retirado. O elástico pode ficar durante 20 a 30 minutos em segurança e manterá a erecção até ser removido.
Esta técnica demora algum tempo a aprender e é necessário que exista um bom entendimento entre os parceiros. Muitas pessoas sentem-se satisfeitas com este tratamento. Pode surgir algum desconforto e escoriações. O orgasmo não é alterado mas o elástico constritor pode impedir o esperma de aparecer no momento da ejaculação.
Cirurgia arterial– esta cirurgia pretende aumentar o afluxo de sangue ao pénis bem como a pressão sanguínea dentro do pénis. É aconselhável para doentes jovens que tenham sofrido acidentes que lhes tenham afectado a circulação sanguínea. Consiste na ligação de um vaso sanguíneo normal (geralmente da parede abdominal) a uma artéria peniana, ultrapassando assim o bloqueio arterial. Actualmente, só é levada a cabo um número muito pequeno de casos (cerca de 1% de homens com impotência).
Cirurgia venosa – foi bastante utilizada durante uns tempos mas actualmente considerada pela maior parte dos cirurgiões ineficaz, excepto num número muito seleccionado de doentes. Nestes casos, o cirurgião liga ou extrai veias do pénis, de forma idêntica à utilizada na cirurgia das veias varicosas.
Próteses penianas – colocam-se dois cilindros sintéticos dentro do pénis através da cirurgia. Estes cilindros tornam o pénis suficientemente rijo para a penetração. Existem vários tipos de próteses e as próteses maleáveis simples são as mais baratas apesar de terem a desvantagem de manterem o pénis num estado permanente de semi-rigidez. As próteses insufláveis consistem num mecanismo de bomba e num reservatório para além dos cilindros penianos. Dão melhores resultados e um aspecto mais natural ao pénis. Apesar dos implantes terem o risco de infecção (especialmente nos diabéticos) ou de avaria mecânica, a taxa de falhanços é actualmente baixa e as complicações sérias pouco comuns.
Que tratamento devo usar?
Muitos doentes prefeririam voltar a adquirir a capacidade de obterem erecções espontâneas normais. Esta solução só é possível quando o problema é maioritariamente psicológico, hormonal, dependente da medicação ou, em casos raros, nos quais a reconstrução arterial é possível.
Muitos casais conseguem ter uma actividade sexual gratificante e satisfatória mesmo quando o pénis não está suficientemente rígido. Na generalidade, a maior parte dos homens escolheria formas de tratamento menos invasivas, tal como um comprimido, que se tornaria uma forma de tratamento primordial. Contudo, quando este tipo de tratamento não é adequado ou eficaz, outros tratamentos, como a medicação trasuretral ou a injecção intracavernosa podem resolver quase todos os casos de impotência. Os aparelhos de vácuo podem representar outra alternativa e se todas estas tentativas falharem o doente pode optar pelo implante de uma prótese.
Em conclusão
• Procure ajuda
• Existe tratamento disponível para todos os tipos de impotência
• Uma vida sexual satisfatória é possível mesmo quando a sua erecção está longe de ser perfeita
• É provável que cada ano apareçam novos tratamentos
• Existem muitos homens como você e muitos deles já tiveram apoio!
Autoria: Sociedade Portuguesa de Andrologia