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Cirurgia aberta
A prostatectomia, a cirurgia aberta da próstata, só é usada quando a próstata é muito grande, quando existam factores que impeçam a cirurgia transuretral ou quando existe qualquer lesão ou anomalia na bexiga que necessite de resolução simultânea.
Como o seu nome indica, a cirurgia aberta requer uma incisão na pele e na parede abdominal. Quando o cirurgião atinge a cápsula prostática, abre-a e extrai o tecido prostático hipertrofiado. No final encerra a cápsula e a parede do abdómen.
A recuperação depois da operação
Depois da operação provavelmente ficará no hospital entre 3 a 8 dias, dependendo do tipo de cirurgia que fez e da rapidez com que recupera.
Em qualquer das cirurgias, transuretral ou aberta, é deixada uma algália na bexiga, um tubo de borracha ou de silicone que durante alguns dias vai facilitar a drenagem da urina para o exterior. A algália possui, na extremidade que fica dentro da bexiga, um balão que está cheio de água destilada e que impossibilita que a algália se desloque da sua posição. Possui também uma entrada que permite a entrada de um líquido para irrigação contínua da bexiga, que vai diluir o sangue dificultando ou impedindo-o de formar coágulos.
A presença da algália pode produzir algum desconforto uretral e espasmos de bexiga, principalmente nas primeiras 24 horas. Depois esses sintomas vão progressivamente diminuindo, costumando ser muito bem tolerados pelos doentes.
Muitos urologistas iniciam uma profilaxia antibiótica algumas horas antes da operação ou imediatamente a seguir, para prevenir uma infecção pós-operatória. Contudo, estudos vários sugerem que os antibióticos podem não ser necessários em todos os casos, pelo que o seu urologista pode preferir esperar até verificar se uma infecção está presente.
Durante algum tempo depois da operação vai observar sangue e pequenos coágulos na sua urina, à medida que se está a dar a cicatrização da zona operada. Quando parar a irrigação contínua da bexiga vai notar que a urina passa a vir mais vermelha do que antes. É natural isso acontecer pois passou a haver maior concentração de sangue. Uma pequena hemorragia é normal e pode mesmo continuar depois da alta hospitalar. Progressivamente ela vai diminuindo. É importante beber muita água, para cima de 2 litros de água por dia, para evitar a formação de coágulos de sangue e para ajudar a cicatrização.
Nas primeiras semanas depois de ir para casa continue a beber muita água. Deve também manter uma dieta que evite a obstipação, tomando um laxante se ficar com prisão de ventre. Pode andar a pé desde que não sejam grandes distâncias. Evite manter-se muito tempo seguido na posição sentada, por exemplo a ler ou ver televisão. Também só deve guiar ao fim de 2-3 semanas.
Voltando ao normal
Embora note rápidas melhores após a saída do hospital, provavelmente demorará 2 ou 3 meses até que fique completamente restabelecido. Durante esse período de recuperação pode notar algum ou alguns dos seguintes problemas: Ardor e sensação de urgência miccional Depois da algália ser retirada, a urina passa através da ferida prostática, podendo provocar algum ardor miccional ou uma frequente sensação de vontade de urinar. Este problema vai melhorando progressivamente e, em 1 ou 2 meses, vai ficara a urinar menos vezes.
Também não se admire se notar que o seu jacto urinário era mais forte logo a seguir à retirada da algália do que nas semanas seguintes. A causa é o aparecimento de algum edema, isto é, inchaço de causa inflamatória, que demorará algum tempo a desaparecer.
Incapacidade de controlar as micções (incontinência)
Até a bexiga normalizar, pode ter alguns problemas temporários para controlar a micção, mas incontinência definitiva raramente ocorre.
Hemorragia
A hemorragia tardia é bastante rara. O doente fica um pouco assustado, porque já não a esperava. Contudo é uma hemorragia que habitualmente pára num curto espaço de tempo, se se mantiver acamado e se beber muitos líquidos. Se for muito intensa, se contiver coágulos ou se notar dores, deve contactar o seu urologista.
A função sexual depois da cirurgia
Uma das maiores preocupações dos homens quando são confrontados com a necessidade de fazerem uma operação à próstata é com as consequências da operação sobre a sua vida sexual. Alguns mitos e falsas informações contribuem para alguma confusão.
Na verdade, raramente a função sexual fica seriamente afectada com a cirurgia, embora habitualmente seja preciso entre 3 a 12 meses para que haja uma retoma da actividade sexual regular. Muitas vezes, a preocupação sobre a sua função sexual provoca mais problemas do que a própria operação. Compreender o que se passa geralmente permite que o homem retome a sua função sexual mais cedo. Por vezes pode ser útil ter algum aconselhamento psicológico no período imediatamente a seguir à operação.
O modo como a cirurgia pode afectar a função sexual pode ser resumido nos seguintes aspectos:
Erecções
Se não tiver problemas de erecção antes da operação, provavelmente não vai ter quaisquer problemas depois. Directamente relacionado com a cirurgia só há diminuição ou perda de potência sexual em 3 a 4% dos doentes operados.
Ejaculação
Embora a maior parte dos homens continue a ter erecções após a operação, passam a ter os chamados orgasmos secos, ou seja, passam a ter sensação de clímax sexual sem emissão de esperma para o exterior.
A que é que se deve esse fenómeno?
Durante a actividade sexual, o esperma proveniente dos testículos entra na uretra logo abaixo do chamado esfínter interno, um sistema muscular localizado a nível do colo da bexiga, e logo acima do esfínter externo, outro sistema muscular localizado abaixo da próstata. Normalmente, no momento da ejaculação, o esfínter interno encerra, impedindo a passagem do esperma para a bexiga; por sua vez o esfínter externo abre, facilitando a saída do esperma para o exterior.
Com a operação as coisas já não se passam do mesmo modo, pois o esfínter interno é ressecado e desaparece. Não encontrando resistência à sua passagem, o esperma, em vez de sair para o exterior, entra na bexiga onde se mistura com a urina. É a chamada ejaculação retrógrada. Mais tarde o esperma sairá com a urina, quando se der uma micção.
Orgasmo
Orgasmo não é exactamente o mesmo que ejaculação, embora muitos homens confundam as duas situações porque elas habitualmente estão associadas. Sendo o orgasmo a sensação de prazer no momento do clímax sexual, deve ficar claro que ele não desaparece. Embora possa demorar algum tempo até se habituar com a ejaculação retrógrada, a maior parte dos homens não nota qualquer diferença entre o orgasmo antes e depois da operação.
Pode ser necessário reoperar?
Nos anos seguintes ao da operação é importante continuar a fazer exames prostáticos, pelo menos uma vez por ano. Caso persistam ou reapareçam algumas queixas, deverá procurar o seu urologista.
Como a operação deixa alguma porção de tecido, é possível o reaparecimento de sintomas prostáticos. Contudo, a cirurgia costuma dar um alívio de sintomas pelo menos durante 15 anos. Apenas 10% dos homens que foram operados por HBP necessitarão de fazer outra operação prostática.
Por vezes, um exagero de tecido cicatricial no local operado obriga a nova cirurgia no espaço de um ano. A operação é muito simples, semelhante à incisão transuretral (ver acima). Outra complicação mais frequente é a formação de tecido cicatricial na uretra, causando um aperto que obriga a uma micção fina e gotejante. Este problema pode ser resolvido com dilatações da uretra ou, nalguns casos, com uma cirurgia transuretral de corte do tecido cicatricial, chamada uretrotomia interna.
Tratamento não cirúrgico
Uretroplastia com balão
Neste método, um fino tubo com um balão é inserido através da uretra e guiado até à porção apertada da uretra, onde o balão é insuflado. Esta acção alarga a uretra, facilitando a saída de urina.
Este procedimento simples, que pode ser feito em regime ambulatório (sem internamento), pode ser uma alternativa terapêutica à cirurgia. Contudo, como o tecido que provoca a obstrução urinária não é removido, geralmente o seu efeito é de curta duração.
Hiper termia transuretral
Durante uma série de tratamentos, que podem durar algumas semanas, o urologista insere um tubo através da uretra que tem uma extremidade especial que fica em contacto com a próstata, na qual vai ser aplicado calor concentrado. Esse calor é que vai diminuindo a dimensão da próstata, aliviando a obstrução. Contudo, a eficácia a médio e longo prazo é muito duvidosa, para além de provocar alguns efeitos secundários como irritação uretral, hemorragia, espasmos de bexiga. É uma técnica que está praticamente abandonada.
"Stents" prostáticos
É a aplicação de um dispositivo metálico ou de material sintético, conhecidos pelo nome inglês de "stent", que é inserido através da uretra até à região apertada e que, aí chegado, expande como uma mola, alargando a uretra. Embora tenha os seus defensores, habitualmente é aplicada em homens com elevado risco cirúrgico, atendendo a que apenas é utilizada uma anestesia local.
Tratamento médico
Durante anos, investigadores têm tentado encontrar uma maneira que pare ou atrase o crescimento da próstata sem utilização de cirurgia. Recentemente alguns novos medicamentos surgiram que, em alguns doentes, têm mostrado uma elevada eficácia.
Um dos mais utilizados é o Finasteride (comercialmente conhecido com o nome de Proscar), que inibe a produção da hormona que tem a ver com o crescimento prostático. O seu uso permite a diminuição do volume prostático, embora não em todos os homens.
Outro medicamento é a Terazosina (comercialmente conhecido como Hytrin), que relaxa a musculatura lisa da próstata e do colo da bexiga, diminuindo a obstrução urinária e melhorando o jacto miccional. É uma droga que faz parte do grupo dos alfabloqueantes, e já era usada para tratar a hipertensão desde 1987, antes de se descobrir a sua eficácia na próstata.
Porque o tratamento médico não é eficaz em todos os casos, a cirurgia mantém-se um método comum para tratar eficazmente a HBP.
HBP e Cancro da próstata
Embora alguns dos sinais e sintomas de HBP e de cancro sejam os mesmos, ter HBP não aumenta a possibilidade de se ter cancro da próstata. Contudo, um homem que tenha uma HBP pode ter cancro prostático indetectável ao mesmo tempo, ou pode desenvolver cancro no futuro.
Por essa razão é altamente recomendável que todos os homens com mais de 50 anos visitem o urologista uma vez por ano, onde farão análises sanguíneas, o toque rectal ou exames ecográficos.
Depois da cirurgia da HBP, o tecido removido é sempre investigado ao microscópio para pesquisa de células malignas. Em 10% dos casos pode surgir tecido cancerígeno, embora geralmente limitado a algumas células de um tipo de cancro pouco agressivo, que não precisa sequer de tratamento.
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Autor: Nuno Monteiro Pereira
Baseado num texto sem copyright do National Kidney and Urologic Diseases
Information, Maryland, EUA