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O que são os exames periódicos de saúde?
A partir de que idade se devem fazer exames periódicos de saúde?
Com que periodicidade deve uma mulher adulta saudável ser observada pelo seu médico assistente?
O que é que o médico faz durante um exame de vigilância a uma mulher saudável?
Nos exames periódicos podemos fazer testes de rastreio para todo o tipo de doenças?
Quais são os principais factores de risco a avaliar num paciente adulto do sexo feminino?
Há diferenças entre o tipo de rastreios a efectuar nos exames de vigilância consoante o sexo do paciente?
Quais são as doenças cujo rastreio é comprovadamente útil na mulher adulta, e de que forma deve ser feito esse rastreio?
Há outras doenças cujo rastreio pode ser aconselhado, embora ainda não esteja claramente estabelecido o seu benefício?
Há testes de rastreio que devem ser propostos a indivíduos com factores de risco específicos ?
Quais são as vacinas que as mulheres adultas devem actualizar periodicamente?
Que tipo de exames são desnecessários nos exames periódicos de saúde, na ausência de sintomas ou factores de risco específicos?
O que são os exames periódicos de saúde?
São exames médicos feitos com uma periodicidade regular a indivíduos sãos para promover e manter a saúde.
A partir de que idade se devem fazer exames periódicos de saúde?
Todas as pessoas devem submeter-se a exames periódicos para vigilância da saúde, apenas variando com a idade e o sexo a periodicidade e o conteúdo dos mesmos exames.
Com que periodicidade deve uma mulher adulta saudável ser observada pelo seu médico assistente?
Uma mulher adulta saudável deve realizar um exame periódico de saúde anual, ou pelo menos de dois em dois anos. No entanto, se faz contracepção oral (se toma a pílula) ou tem um dispositivo intra uterino, deve ser submetida a um exame ginecológico anual.
O que é que o médico faz durante um exame de vigilância a uma mulher saudável?
O objectivo dos exames de vigilância , como já foi referido, é promover a saúde.
Para isso, o médico procura identificar factores de risco, para que a paciente possa modificá-los evitando o aparecimento de doenças, propondo a realização de testes de rastreio para diagnosticar as doenças numa fase precoce da sua história natural.
Durante a consulta, o médico deve fornecer informação sobre os factores de risco, reforçando comportamentos que melhorem a saúde e procurando modificar aqueles que podem originar doenças.
O médico terá ainda a preocupação de sensibilizar a paciente para que mantenha as suas vacinas actualizadas, já que esta é outra forma de prevenção.
Nos exames periódicos podemos fazer testes de rastreio para todo o tipo de doenças?
Não. Os exames feitos para rastreio de doenças que ainda não apresentam sintomas só têm utilidade quando da sua aplicação resultam ganhos em saúde.
Para que um teste de rastreio seja eficaz tem de cumprir os seguintes critérios:
- a doença que se pretende diagnosticar deve ser potencialmente grave e relativamente frequente na população.
- deve existir um tratamento eficaz cuja aplicação nas fases iniciais da doença melhore a sua evolução.
- o teste tem de ser aceitável em termos de custos e não ser demasiado incómodo para o paciente, de forma a poder utilizar-se de forma rotineira.
As mulheres saudáveis, sem factores de risco específicos, beneficiam mais com o aconselhamento sobre comportamentos saudáveis e estilo de vida, do que com a realização indiscriminada de exames de rotina, pois o número de doenças cujo rastreio oferece ganhos em saúde comprovados é relativamente pequeno.
Quais são os principais factores de risco a avaliar num paciente adulto do sexo feminino?
Os principais factores de risco que o médico deve avaliar e discutir com uma paciente adulta são os seguintes:
- tabagismo:
O tabaco é um factor de risco comprovado para muitas doenças, como as doenças cardiovasculares, o cancro do pulmão e a bronquite crónica.
Na mulher que toma a pílula é um factor de risco adicional aumentando a possibilidade de complicações circulatórias.
Deixar de fumar, mesmo quando já há doenças causadas pelo tabaco, traz sempre benefícios para a saúde.
- abuso de álcool e outras drogas:
São conhecidos os efeitos do abuso de drogas e as doenças que podem ser causadas pelo consumo excessivo de álcool. Na mulher, o consumo excessivo de álcool tem, para além das consequências sobre o seu organismo, um efeito prejudicial sobre o feto em desenvolvimento ao qual pode causar malformações (fetopatia alcoólica).
- hábitos alimentares:
A nutrição adequada é uma forma importante de prevenir doenças como certos tipos de cancro, hipertensão, diabetes, etc. No caso particular da mulher, que após a menopausa tem uma perda mais acelerada de massa óssea que conduz à osteoporose, uma alimentação adequada pode contribuir para um investimento em «osso de boa qualidade» durante a juventude, diminuindo o número de complicações na velhice.
- vida sedentária:
A vida sedentária dos nossos dias é uma das causas do aumento de doenças cardiovasculares nos países ocidentais.
A prática de exercício físico, além de ajudar a manter um corpo esteticamente agradável, contribui para o equilíbrio mental e prevenção de doenças como a hipertensão, a diabetes, a osteoporose e a doença coronária.
- comportamentos sexuais de risco:
A vivência da sexualidade de forma responsável e segura é um contributo importante para a saúde dos homens e das mulheres, evitando as gravidezes indesejadas e as doenças cuja transmissão está ligada ao sexo, como a sida, a sífilis, o herpes genital, etc.
- acidentes de viação e acidentes de trabalho:
Os acidentes, particularmente os acidentes de viação, são uma causa importante de mortalidade e de deficiência. Uma parte destas mortes pode ser evitada se forem cumpridas regras básicas de segurança, como o uso de cinto de segurança.
Também no trabalho há factores de risco que podem ser evitados se forem utilizados mecanismos protectores adequados.
Há diferenças entre o tipo de rastreios a efectuar nos exames de vigilância consoante o sexo do paciente?Sim. Embora haja rastreios comuns aos dois sexos, como o rastreio da hipertensão, há outros que são específicos do sexo, como sucede com o rastreio do cancro da próstata para os homens e o rastreio do cancro da mama ou do colo do útero na mulher.
Além disso, nas consultas de vigilância da mulher, são abordadas questões específicas relacionadas com o ciclo menstrual, a preparação da gravidez, a perimenopausa e a menopausa.
Assim, as mulheres que planeiam engravidar devem ser aconselhadas a tomar um suplemento de ácido fólico, pelo menos desde um mês antes da concepção até ao fim do primeiro trimestre de gravidez, para prevenir malformações do feto (anomalias do tubo neural).
Em relação às mulheres na peri menopausa, devem ser informadas sobre os riscos e benefícios da terapêutica hormonal de substituição.
Quais são as doenças cujo rastreio é comprovadamente útil na mulher adulta, e de que forma deve ser feito esse rastreio?
1. Hipertensão arterial:
A hipertensão arterial é um factor de risco cardiovascular perfeitamente estabelecido e a sua frequência é elevada afectando cerca de 20% da população adulta nos países ocidentais.
A medição da tensão arterial deve ser feita periodicamente a partir dos 18 anos, bastando uma medição anual nos indivíduos normotensos (que apresentam valores normais da tensão arterial).
2. Hipercolesterolémia:
A hipercolesterolémia, a hipertensão arterial e o tabagismo são os três principais factores de risco de doença cardiovascular.
Na ausência de história familiar, o rastreio da hipercolesterolémia deve ser feito a partir dos 35 anos, nas mulheres. Este rastreio é feito através de uma análise de sangue (doseamento do colesterol), a realizar de quatro em quatro anos se o resultado encontrado for normal.
3. Cancro do colo do útero:
O rastreio do cancro do colo do útero deve ser feito a todas as mulheres com vida sexual activa e que tenham útero. O rastreio faz-se através da observação ginecológica com realização de colpocitologia anual durante três anos seguidos, podendo a colpocitologia passar a fazer-se de três em três anos se as anteriores forem normais e não existirem factores de risco.
As mulheres que tomam a pílula têm indicação para fazer a colpocitologia todos os anos.
4. Cancro da mama:
O cancro da mama é a doença oncológica mais frequente na mulher, em particular na 5ª década de vida, embora possa aparecer tanto em mulheres jovens como nas idosas.
A detecção precoce do cancro da mama contribui para uma diminuição significativa da mortalidade por esta doença.
A observação da mama deve fazer parte dos exames de vigilância.
A realização de auto palpação da mama (observação e palpação da mama mensalmente, após o período menstrual) pode ajudar a detectar lesões já palpáveis, mas não há evidência de que este exame diminua a mortalidade por cancro da mama.
A realização de uma mamografia de base a partir dos 40 anos deve ser proposta às mulheres sem factores de risco, nomeadamente história familiar de cancro da mama.
Entre os 50 e os 65 anos, todas as mulheres devem ser submetidas a exame clínico e devem realizar uma mamografia anual.
Há outras doenças cujo rastreio pode ser aconselhado, embora ainda não esteja claramente estabelecido o seu benefício?
Sim. O rastreio do cancro do cólon e recto, embora indicado por algumas organizações científicas, é ainda objecto de controvérsia quanto aos resultados atingidos em termos de redução da mortalidade e melhoria da qualidade de vida.
O rastreio do cancro do cólon e recto deve ser feito através da realização anual de uma análise de fezes (pesquisa de sangue oculto nas fezes), e de um exame endoscópico da porção terminal do intestino (rectosigmoidoscopia) repetido a um intervalo de três a cinco anos.
Embora não haja consenso quanto à utilidade deste rastreio na população em geral, está comprovado que diminui a mortalidade quando é aplicado a indivíduos que apresentam uma história familiar de cancro do cólon e recto, ou outros factores de risco para esta doença.
Há testes de rastreio que devem ser propostos a indivíduos com factores de risco específicos ?
Sim. Por exemplo, a tuberculose, as doenças sexualmente transmissíveis incluindo a sida e a sífilis, e outras doenças, não devem ser rastreadas em todos os indivíduos adultos, por não haver vantagem nisso, mas apenas quando o médico identifica factores de risco individuais.
Quais são as vacinas que as mulheres adultas devem actualizar periodicamente?
A vacina que os indivíduos adultos devem manter actualizada é a vacina anti tetânica, que tem de ser efectuada de 10 em 10 anos para que haja imunidade contra o tétano.
Há outras vacinas que estão indicadas quando existem factores de risco, como por exemplo a vacina contra a gripe, cuja administração anual se aconselha aos indivíduos com mais de 65 anos e àqueles que sofrem de doenças crónicas.
Que tipo de exames são desnecessários nos exames periódicos de saúde, na ausência de sintomas ou factores de risco específicos?Há uma série de exames que não trazem ganhos em saúde quando realizados «por rotina», na ausência de factores de risco ou de suspeita médica de doença . Entre estes exames estão as análises de sangue e urina realizadas de forma indiscriminada, o electrocardiograma na ausência de factores de risco ou suspeita de doença cardíaca, os exames radiológicos aos pulmões para despiste de cancro do pulmão ou tuberculose a pacientes que não têm sintomas e não são de risco, etc.
Autora: Drª Ana Ferrão