De que doença se trata?
Se tem o diagnóstico de Espondilite (Anquilosante) o que é que lhe importa saber?
Quais são os principais riscos da doença?
O que é que deu tão má fama a esta doença?
Quais as razões de ter aparecido uma associação nacional para a pessoa sofrendo desta doença e quais os objectivos?
Qual é a chave do êxito na gestão de uma doença tão traiçoeira?
De modo sucinto, em que consiste uma eficaz automobilização activa de prevenção eficaz?
De que doença se trata?A E.A. é uma doença inflamatória sistémica de padrão reumatismal que atinge de forma predominante a coluna vertebral, sofrendo as articulações
sacro-ilíacas alterações muito características.
É, também, típico da E.A. a
inflamação das insercções de ligamentos, cápsulas articulares e tendões, nomeadamente ao nível da
face plantar do calcanhar e dos contornos da bacia.
Desde 1973 é conhecida a sua forte associação à presença de um factor imunogenético -
HLA-B27.
A idade habitual dos primeiros sintomas situa-se entre os quinze e os trinta e cinco anos. A manifestação mais frequente é
dor lombar que se agudiza com o repouso e se atenua com
actividade física. Assim, o período mais difícil é a madrugada.
Quando o início da E.A. ocorre entre o final da
infância e a
adolescência, é frequente manifestar-se como
artrite isolada de uma grande
articulação periférica, a artrite
unilateral do
joelho.
O aparecimento em pessoa nova de uma
uveíte anterior aguda unilateral, isto é, de inflamação súbita e aguda de um dos olhos com
intolerância a enfrentar a luz, em pessoa com a característica antigénica HLA-B27 deve levar, também, à suspeita de E.A..
Se tem o diagnóstico de Espondilite (Anquilosante) o que é que lhe importa saber? A Espondilite (Anquilosante) só é anquilosante se o próprio permitir por diagnóstico tardio, má informação,
rejeição à situação, recusa ou falta de apoio de familiares, inacessibilidade a um seguimento adequado em instituições públicas de
saúde.
Quais são os principais riscos da doença? Impossibilidade de um repouso nocturno adequado por agravamento das dores ocasionado pela imobilidade;
1. Perda continuada da
mobilidade do
tronco em virtude do progressivo aumento de número de articulações bloqueadas na coluna vertebral;
2. Nos casos mais grave;s, comprometimento das ancas, originando necessidade de
cirurgia com substituição da articulação destruida por
prótese;
3. Em alguns casos, aparecimento de inflamação ocular (uveíte anterior aguda) unilateral, exigindo início imediato de
tratamento por oftalmologista;
4. Nos casos grave;s e de longa duração, há possibilidade de alterações cardio-aórticas e pulmonares.
O que é que deu tão má, fama a esta doença? A doença espondilítica tem má fama porque, estando descrita há um século, de início, os critérios de diagnóstico eram mal escolhidos. De facto, o diagnóstico da doença era feito pelas consequências que devemos e podemos evitar mediante comportamentos de prevençã,o activa.
O conhecimento destes comportamentos é uma obrigação para os médicos que o devem transmitir, para os doentes espondilíticos que os devem cumprir diáriamente, para os familiares que devem apoiar os doentes.
Quais as razões de ter aparecido uma associação nacional para a pessoa sofrendo desta doença e quais os objectivos? Promover o conhecimento do comportamento preventivo e das condições para que ele possa ser cumprido por todas as pessoas sofrendo de Espondilite (Anquilosante) ou de doenças afins (Espondilartropatias) com manifestações idênticas, é o grande desafio desta associação - A.N.E.A. e suas congéneres estrangeiras.
Qual é a chave do êxito na gestão de uma doença tão traiçoeira? A boa organização de movimentos diários para todo o seu corpo é, para a pessoa que sofre de Espondilite Anquilosante o equivalente à necessidade que todo o
diabético tem de organizar a escolha dos seus alimentos. A pessoa espondilítica tem de aplicar nos seus exercicíos diários um rigor idêntico ao que a pessoa diabética aplica na sua alimentação. Escolhemos a comparação para reforçar a ideia de que sem auto-disciplina de exercicíos diários não há nem prevenção de complicações, nem tratamento eficaz de Espondilite Anquilosante. É por causa desta absoluta necessidade que a ajuda
familiar e a interajuda associativa são imprescindíveis para quem enfrenta a Espondilite Anquilosante de modo decidido.
De modo sucinto, em que consiste uma eficaz automobilização activa de prevenção eficaz? O
essencial é conseguir que todos os dias do ano, as articulações atingidas sejam mobilizadas em toda a amplitude ainda disponível.
É isso que tem de ser feito sem brutalidades corajosas mas, de modo inteligente, sob a protecção do efeito do
medicamento anti-inflamatório (A.I.N.E.) no momento de pico de acção, se necessário, e com a terna e tranquila ajuda de um familiar treinado em saber ajudar. Nesta associação utilizamos, como base de partida, o esquema semanal de exercicíos da Associação Suíça nossa congénere, que editamos em tradução portuguesa.
Como exemplo juntamos o esquema de sexta-feira. Aos sábados convém participar numa classe de exercicíos em grupo de espondilíticos, sob a orientação de um
fisioterapeuta ou fazer
hidroterapia em piscina quente (
água aquecida à volta de trinta graus).
(Parecer elaborado por: Dr. Filipe da Rocha)
A fisioterapia na espondilite anquilosanteA E.A. atinge essencialmente a coluna vertebral e articulações sacro-ilíacas e, em maior ou menor grau, atinge também outras articulações. Pode provocar alterações posturais graves em
flexão com perda da mobilidade e pode evoluir para a fixação das articulações (
anquilose), resultando numa diminuição global da funcionalidade.
A fisioterapia através de uma intervenção individual e em grupo, impede ou interrompe o curso progressivo das deformidades posturais e das suas consequências.
A intervenção individual tem como objectivo a libertação das zonas mais retraídas através de técnicas neuromusculares de
massagem, mobilização e estiramento dos tecidos moles e de posturas de alongamento, obtendo assim uma maior amplitude de
movimento a nível das ancas e ombros, assegurando uma maoir mobilidade dos membros e contribuindo para a correcção da
postura.
A intervenção em grupo garante a manutenção de um nível adequado de mobilidade e a melhoria da
tolerância ao esforço, através de técnicas de alongamento, mobilização e fortalecimento muscular, executadas na prática de exercícios activos, de preferência em piscina
terapêutica e/ou em ginásio.
A utilização em paralelo destes dois tipos de intervenção em Fisioterapia leva ao aumento da mobilidade global e impede a fixação da coluna numa
posição demasiado flectida além de diminuir a dor e a
fadiga.
Como resultado final obtém-se um grau de funcionalidade capaz de garantir uma melhor qualidade de vida aos indivíduos com E.A..
(Parecer elaborado por: Terapeuta Paula Campos)
Autoria: Associação Nacional da Espondilite Anquilosante
http://www.anea.org.ptContactos úteis: Associação Nacional da Espondilite Anquilosante
Rua Francisco Ribeiro, Nº57
Alcoitão - 2645-094 Alcabideche
Telefone: (351) 21 460 37 80 Fax: (351) 21 460 37 88