Doença Pulmonar Crónica Obstrutiva (DPCO)
O que é Doença Pulmonar Crónica Obstrutiva (DPCO)?
Qual é a frequência da DPCO?
Qual é a causa da DPCO?
Como decorre a evolução natural da doença?
Como se diagnostica a DPCO?
Qual é a diferença entre a DPCO e a asma?
O que é o enfisema pulmonar?
Bronquite crónica e enfisema são doenças diferentes?
Em que consiste o tratamento da DPCO?
Os tratamentos para a DPCO podem parar a evolução da doença?
O que é Doença Pulmonar Crónica Obstrutiva (DPCO)?A Doença Pulmonar Obstruitva Crónica (DPOC) é uma doença respiratória que resulta da
obstrução das vias aéreas. É caracterizada por um
bloqueio da passagem do ar através da árvore respiratória não totalmente reversível. A limitação do
fluxo aéreo é habitualmente progressiva e associada à
inflamação dos
brônquios e pulmões a partículas nocivas ou a gases.
Qual é a frequência da DPCO?Entre nós calcula-se que sofram de DPOC 5,4% da população com idade compreendida entre os 35 e os 69 anos. A doença atinge mais os homens do que as mulheres devido ao maior número de homens que fumam. Com o aumento do número de fumadoras, espera-se no futuro que esta diferença se reduza.
Anualmente morrem cerca de 8,7 por 100.000 habitantes por DPCO.
Qual é a causa da DPCO?A DPCO não é uma doença contagiosa. O consumo de tabaco é a causa mais frequente desta doença. Em 80 a 90% dos pacientes há ou houve exposição ao tabaco. Também a exposição a certas poeiras, vapores, produtos irritantes ou fumos podem desenvolver a doença obstrutiva, independentemente de ser ou não fumador. Cerca de 15% dos fumadores vêem a sofrer de DPCO. A
poluição atmosférica é um factor de agravamento. Alguns poluentes ocupacionais, como a cádmio e a sílica, aumentam igualmente o risco de DPCO. As pessoas com maior risco a este tipo de poluição
ocupacional são os trabalhadores da construção, mineiros e os indivíduos que trabalham com metal e algodão.
Outra causa de DPCO é a falta de uma
proteína designada alfa1-antitripsina. A
deficiência da alfa1-antitripsina é uma doença genética, rara, hereditária, responsável por menos de 1% dos casos de DPCO. O funcionamento normal dos pulmões está dependente de fibras elásticas que envolvem as vias aéreas e a parede dos
alvéolos. As fibras elásticas são formadas por uma proteína chamada
elastina. Uma
enzima de nome – elastase – que está aumentada em pulmões de pessoas fumadoras, destroi a elastina e danifica as vias aéreas e os alvéolos. Outra proteína chamada alfa1-antitripsina, produzida pelo
fígado e libertada no
sangue, pode impedir os efeitos maléficos da elastase contra a elastina. A incapacidade de produção da alfa1-antitripsina, permite a acção da elastase, desenvolvendo naturalmente a DPCO.
Como decorre a evolução natural da doença? A DPCO instala-se lenta e progressivamente. Por isso, muitas vezes o paciente só recorre ao
médico numa
fase avançada da doença. Inicialmente aparece a
tosse acompanhada por
expectoração que o doente não valoriza. Depois surgem as infecções respiratórias – episódios de bronquite aguda – cada vez mais frequentes, seguido de queixas de cansaço fácil para médios esforços até surgir a
intolerância ao esforço mesmo com pequenas tarefas, como a higiene diária e a fala.
Durante algum tempo, apesar dos sintomas, o
pulmão consegue levar a efeito a sua função principal: receber o oxigénio do ar e transportá-lo até ao sangue, e receber deste o
dióxido de carbono que elimina para o ar. À medida que a doença evolui e a parte do pulmão afectado vai aumentando, a função do pulmão vai-se reduzindo; o oxigénio que chega ao sangue vai sendo menor e o dióxido de carbono vai-se acumulando. As estas alterações dos gases do sangue chama-se
insuficiência respiratória.
Nesta fase avançada de DPCO, os doentes podem desenvolver
cianose (caracterizado por lábios e unhas azuladas), devido à falta de oxigénio no sangue, e
dor de cabeça matinais devido à acumulação de dióxido de carbono. Também os pequenos vasos sanguíneos dos pulmões são destruídos, o que impede o normal fluxo
sanguíneo através dos pulmões. Como resultado desta alteração, o
coração bombeia com maior força e pressão acrescida para levar o sangue aos pulmões. A pressão elevada dos vasos sanguíneos nos pulmões é designada
hipertensão pulmonar.
Como se diagnostica a DPCO?A DPCO é frequentemente suspeitada pela presença de sintomas – tosse, expectoração, sensação de falta de ar e/ou pieira – num indivíduo que fuma, fumou ou que esteve exposto a gases nocivos. A tosse crónica e a expectoração precedem habitualmente em muitos anos o desenvolvimento da limitação ventilatória, embora nem todos os indivíduos com tosse e expectoração progridam para a DPCO. Para que o
diagnóstico seja rigoroso deverá ser confirmado a obstrução das vias aéreas, que não se altera no dia-a-dia ou em resposta ao tratamento.
O exame mais frequentemente utilizado para avaliar a função dos pulmões chama-se
espirometria, uma técnica que permite medir a quantidade de ar obstruído. Na espirometria, o paciente deve inspirar profundamente e logo a seguir expirar rápida e forçadamente para dentro de um tubo que está ligado a uma máquina que mede o volume de ar expirado. O volume de ar expirado no primeiro segundo (“VEMS”) é um valor credível e útil para avaliar a obstrução ventilatória – quanto menor for o valor de “VEMS” maior é o nível de obstrução. O “VEMS” pode ainda ser determinado após a acção de um
broncodilatador, permitindo avaliar se a obstrução aérea é reversível.
A espirometria também permite medir o volume máximo de ar que pode ser inalado e exalado em cada
movimento respiratório (inspiração +
expiração). O volume máximo é chamado capacidade
vital (“CV”). Comparando o “VEMS” com a “CV”, a obstrução aérea pode ser mais rigorosamente quantificada. O valor normal da razão VEMS / CV é 70%, mas este valor está reduzido nos doentes com DPCO.
Qual é a diferença entre a DPCO e a asma?A DPCO e a asma são duas doenças respiratórias que têm sintomas de apresentação semelhantes, e por isso, são por vezes confundidas. No entanto, existem várias diferenças significativas entre elas. O perfil do indivíduo que sofre de DPCO corresponde a uma pessoa de meia idade com uma história de muitos anos de
tabagismo, que apresenta sintomas de tosse, expectoração e falta de ar, lentamente progressivos. A asma habitualmente começa na
infância, muitas vezes associada a
alergia,
rinite e/ou
eczema, e os sintomas de tosse e falta de ar, variam de dia para dia, e são predominantemente nocturnos ou matinais. Outra diferença importante consiste na
reversibilidade dos sintomas - a asma é também uma doença pulmonar obstrutiva, mas ao contrário do enfisema ou da bronquite crónica, é habitualmente reversível. Entre as crises de asma, o fluxo de ar através das vias respiratórias, é bom.
O que é o enfisema pulmonar?No enfisema há um alargamento permanente dos alvéolos devido à destruição das paredes entre os alvéolos. Esta destruição reduz globalmente a elasticidade dos pulmões. A perda de elasticidade leva ao
colapso dos pequenos brônquios (brônquiolos), bloqueando o fluxo de ar, que começa a ficar encerrado nos alvéolos, reduzindo a capacidade dos pulmões de se encolherem durante a exalação. A reduzida expansão dos pulmões na
respiração seguinte diminui a quantidade de ar que é inalado. Deste mecanismo alterado resulta menos novo ar para trocas gasosas dentro dos pulmões.
O enfisema conduz também a uma dificuldade na respiração devido ao esforço extra que tem que ser despendido para esvaziar o ar dos pulmões devido ao colapso das vias aéreas. Para além disso, a capacidade reduzida de trocas de gases – oxigénio e dióxido de carbono – por causa da destruição dos brônquiolos e perda dos pequenos vasos (capilares), faz com que o paciente tenha necessidade de respirar mais frequentemente.
Bronquite crónica e enfisema são doenças diferentes?Não. Tanto a bronquite crónica como o enfisema são alterações encontradas na DPCO. Quando se fala em bronquite crónica quer dizer-se que os brônquios estão inflamados e produzem quantidade excessiva de expectoração. A inflamação vai dificultar a
eliminação da expectoração (escarro) e por isso os brônquios poderão ficar progressivamente boqueados.
Quando se fala em enfisema significa que a porção terminal das vias respiratórias – os alvéolos – apresenta destruição das suas paredes, e esta destruição, que é permanente, vai dificultar a respiração porque diminui a função principal dos pulmões: enriquecer o sangue de oxigénio e libertar o dióxido de carbono.
Em que consiste o tratamento da DPCO?Deixe de fumar: Esta é a única medida que impede a sua doença de se ir agravando!!! Se não o conseguir fazer sozinho peça ajuda ao seu médico.
Evite as infecções respiratórias: vacine-se contra as infecções bacterianas e contra a gripe!!!
Trate as infecções respiratórias: em geral não se acompanham de
febre. Reconhecem-se pela cor amarela da expectoração, pelo aumento da viscosidade da expectoração que se torna mais difícil de expulsar.
Hábitos Tenha uma vida higiénica, uma alimentação equilibrada, reduza o peso se for excessivo.
Faça exercício
físico, sem se esforçar para além das suas capacidades.
Poderá ter de fazer
reabilitação pulmonar com o objectivo de reduzir os sintomas, melhorar a qualidade de vidae aumentar a participação nas actividades diárias.
A
terapêutica recomendada da DPCO está dependente da avaliação da limitação ventilatória e correspondente estadio de gravidade da doença (DPCO: ligeira, moderada e grave). Existem três armas terapêuticas –
broncodilatadores, cortcosteróides inalados e cortcosteróides orais. Existem dois grupos de boncodilatadores: anticolinérgicos e Beta 2 agonistas.
Oxigénio: poderá ter de fazer se tiver insuficiência respiratória, mas nunca sem indicação dum médico. O objectivo da oxigenioterapia a longo prazo é aumentar os valores da pressão arterial do oxigénio (PaO2) até ao mínimo (60 mmHg) e/ou atingir a
saturação O2 no minimo de 90%, o que preservará as funções orgânicas vitais ao assegurar uma adequada distribuição de oxigénio.
Os tratamentos para a DPCO podem parar a evolução da doença?Não. Os medicamentos ou, eventualmente, o oxigénio suplementar, prescrito em fases mais avançadas da doença, não alteram o seu agravamento progressivo. Apenas ajudam a prevenir ou controlar os sintomas, a melhorar o
estado de
saúde e a
tolerância ao esforço.
Autor: Mário Santos