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Diarreia em adultos

Como se define diarreia?
Quais os mecanismos que provocam a diarreia?
Qual é a diferença entre diarreia aguda e diarreia crónica?
Quais são as complicações da diarreia?
Como é que se sabe qual o tipo de diarreia em causa?
Como é que se diagnostica?
Como é que se trata a diarreia?
Como se prepara uma solução de re-hidratação oral?

Como se define diarreia?

Considera-se diarreia quando há um aumento do número habitual de evacuações, ou quando há uma diminuição da consistência das fezes, podendo ocorrer ambas as alterações simultaneamente. O intestino delgado e grosso, funcionam absorvendo e secretando líquidos, iões e nutrientes. Alterações nestes processos, com diminuição da absorção associado a um aumento da secreção, pode causar diarreia.

Quais os mecanismos que provocam a diarreia?
São vários os mecanismos que levam o organismo a desenvolver diarreia:
• quando uma substância está presente no intestino e não é absorvida, puxando água dos tecidos para o interior do tubo digestivo. Exemplo deste mecanismo de acção da diarreia são os laxantes; os antiácidos com magnésio e alguns alimentos, contendo sorbitol, manitol ou xilitol;
• quando determinados agentes estimulam a secreção intestinal. Estão incluídos neste mecanismo bactérias, vírus e parasitas, tanto por invasão como por inflamação da mucosa que reveste o intestino delgado ou pela produção de toxinas que também estimulam a secreção de fluidos.
• doenças inflamatórias que estão normalmente associadas a lesão da mucosa do intestino e que afectam principalmente o intestino grosso. As infecções intestinais são a principal causa da diarreia inflamatória. Outras causas são as doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn e colite ulcerosa), doenças do sistema auto-imune, radioterapia etc;
• por alteração da motilidade do intestino. Doenças afectadas por este mecanismo devem ser consideradas quando outras causas forem afastadas. A síndrome do intestino irritável, a diarreia do doente diabético ou o hipertiroidismo, são exemplos de diarreia por alteração da motilidade do intestino.

Qual é a diferença entre diarreia aguda e diarreia crónica?
Na maioria dos episódios de diarreia aguda tem a duração de alguns dias até uma semana. Em termos médicos designa-se como aguda à diarreia com duração inferior a três semanas. Este tipo de diarreia é habitualmente benigna e auto-limitada, isto é, não são precisos medicamentos para a sua resolução. Diversas causas, incluindo a intoxicação alimentar (a causa mais comum), as infecções, reacções a medicamentos e algumas doenças inflamatórias, são os principais responsáveis por episódios de diarreia aguda. Normalmente desaparecem apenas com tratamento sintomático, ou seja, com medicamentos para a hidratação e eventual dor associada.
As diarreias crónicas duram mais do que três semanas. É vasta a lista de doenças que leva a este tipo de diarreia, que habitualmente necessita de exames complementares de diagnóstico para identificar rigorosamente a sua causa. As doenças inflamatórias intestinais, os tumores ou algumas infecções podem estar na sua origem.

Quais são as complicações da diarreia?
A desidratação é a complicação mais comum e mais perigosa entre as crianças e os adultos que perdem uma grande quantidade de fluidos pelas fezes, particularmente quando está associada a vómitos ou não há reposição de líquidos. Doentes com desidratação ligeira podem começar a sentir sede ou apenas a boca seca. Por seu turno, a desidratação moderada a grave, pode levar a uma hipotensão com desmaio, motivado pela diminuição brusca da pressão arterial sanguínea pela redução do volume de sangue.
Também a perda de electrólitos pode estar associada à diarreia aguda ou prolongada. As deficiências mais comuns são o défice de sódio e potássio. Poderá ainda haver uma irritação ao nível do anus devido à passagem frequente de substâncias irritantes contidas nas fezes.

Como é que se sabe qual o tipo de diarreia em causa?
Certos sintomas ajudam no esclarecimento da causa da diarreia. Quando o intestino grosso está afectado, a diarreia é de menor volume e, às vezes, pode surgir sangue ou muco. Frequentemente, existe dor na parte inferior do abdómen, que melhora com a defecação. Desconfia-se de afecção do intestino delgado quando as fezes são em grande quantidade e a dor é tipo cólica, geralmente em torno do umbigo.
Alguns dados da história do doente são importantes para estabelecer o diagnóstico. A história recente de viagem, a ingestão de determinados alimentos, o uso recente de alguns medicamentos o contacto com outras pessoas com sintomas semelhantes, o emagrecimento e a febre orientam o médico a chegar à causa da diarreia.
O exame físico completo é importante, nomeadamente a medição da pressão arterial e a pesquisa de sinais de desidratação, são imprescindíveis em qualquer doente com diarreia aguda ou crónica.

Como é que se diagnostica?
Nalguns casos o médico pode solicitar determinados exames para o ajudar a estabelecer um diagnóstico. As diarreias agudas auto-limitadas, em geral, não necessitam de investigação especial, a não ser que se tornem recorrentes.
A alguns doentes pode ser recomendado a recolha de fezes para a pesquisa de ovos, quistos e parasitas. A cultura das fezes, pesquisa de gordura, pesquisa de toxinas, e outros exames, podem ser solicitados de acordo com a suspeita diagnostica.
Nas diarreias crónicas e diarreias agudas persistentes e recorrentes não esclarecidas pode ser necessária uma investigação mais invasiva, através de exames imagiológicos, como rectossigmoidoscopia, colonoscopia total ou estudos radiológicos.

Como é que se trata a diarreia?
Um aspecto vital do tratamento da diarreia aguda é pausa alimentar relativa aos alimentos sólidos e a reposição de líquidos. A principal via de re-hidratação é a oral, através da oferta de líquidos ou de soro caseiro. Pode-se comprar misturas electroliticas pré-preparadas, que já apresentam pequenas quantidades de potássio de compensação, sendo apenas necessário juntar-lhes água. Apenas em caso de vómitos intratáveis ou perante uma desidratação grave pode ser necessária a hospitalização do doente, particularmente em pacientes idosos.
As medicações devem ser iniciadas para fornecer alívio sintomático. Contudo, medicamentos que diminuem os movimentos intestinais, frequentemente usados sem supervisão médica, como a Loperamida (Imodium) devem ser evitados. Nas causas infecciosas, a não eliminação dos microrganismos pode levar à invasão do intestino com quadros graves de generalização da infecção e da inflamação.
O uso de antibióticos no tratamento das diarreias só deve ser iniciado com prescrição médica. As infecções específicas, quando confirmadas, como por exemplo a giardíase, a amebíase e a salmonelose, devem ter tratamento adequado.

Como se prepara uma solução de re-hidratação oral?
Dissolva uma colher de chá de sal e quatro colheres de chá de açúcar (que ajuda o intestino a absorver a água e o sal) em 1 litro de água. É importante que as medidas sejam exactas porque o excesso de sal pode agravar a desidratação. Deve tomar-se cerca de meio litro do líquido de re-hidratação oral de hora a hora.

Autor: Dr. Mário Santos

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