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Desfibrilhação

O que é a desfibrilhação?
O que é um desfrilhador automático externo?
Quais os riscos do desfibrilhador automático externo?
Quais as vantagens do uso do desfibrilhador automático externo?
O que é um desfibrilhador cardioversor implantável?

O que é a desfibrilhação?

Designa-se desfibrilhação à aplicação de uma descarga eléctrica sobre o peito (tórax) quando ocorre uma paragem do coração ou uma fibrilhação ventricular, que corresponde a um ritmo descoordenado de contracção das cavidades cardíacas, que deixam de ser eficazes para bombear o sangue oxigenado para todo o corpo, nomeadamente ao cérebro.

A desfibrilhação teve início em meados do século XX e durante muito tempo foi apenas realizada em ambiente hospitalar. Os aparelhos no início eram de grandes dimensões e pesados, ao contrário dos modernos desfibrilhadores manuais, que necessitam de ser operados por um técnico (médico ou enfermeiro) qualificado, capaz de reconhecer o ritmo cardíaco e decidir se aplica ou não o choque, podendo ser aplicado externamente sobre o peito ou directamente sobre o coração durante uma cirurgia cardíaca.
Os desfibrilhadores manuais também podem ser utilizados para corrigir arritmias não terminais, isto é, alterações do ritmo cardíaco que não colocam em perigo de vida o paciente (ex. taquicardia paroxística e a fibrilhação auricular) em ambiente hospitalar controlado e programado, designado como cardioversão.

O que é um desfibrilhador automático externo?
Nos anos 80 foram introduzidos os desfibrilhadores automáticos externos, vocacionados para utilizadores não médicos com treino mínimo. São aparelhos computadorizados, pequenos e leves que avaliam o ritmo cardíaco do paciente através de eléctrodos que se encontram nos adesivos que se colam no tórax e que confirmam a alteração do ritmo cardíaco (ex: fibrilhação ventricular) ou a paragem cardíaca, que poderá ser a consequência de um enfarte do miocárdio. Estes aparelhos têm a capacidade de proceder a um choque eléctrico adequado para restabelecer do ritmo cardíaco normal do doente.
Estes desfibrilhadores dão indicações verbais e/ou visuais aos seus utilizadores ao longo do processo de reanimação, nomeadamente quanto à necessidade de proceder às manobras de reanimação cardio-respiratória (insuflações e compressões cardíacas), que asseguram a circulação do sangue oxigenado se o coração não contrai. Se a paragem cardíaca está relacionada com outras causas, o aparelho não procede a desfibrilhação. Os desfibrilhadores automáticos externos pode ser aplicados a crianças acima dos 8 anos e 25 kg de peso, desde que se usem os eléctrodos adesivos apropriados.

Quais os riscos do desfrilhador automático externo?
Os riscos para o operador do desfibrilhador automático externo podem ser eliminados se este não tocar no paciente. A pessoa desfibrilhada poderá sofrer queimaduras na pele no local de aplicação do choque, arritmias e formação de coágulos no sangue.

Quais as vantagens do uso do desfibrilhador automático externo?
A pertinência do uso mais generalizado destes aparelhos tem a ver com o facto de a ocorrência de paragem cardíaca súbita ser mais frequente em locais de grande afluência de público, por exemplo em centros comerciais, locais de eventos desportivos ou culturais, edifícios públicos e empresas, aeroportos e aviões, entre outros.

Após uma paragem cardíaca, a probabilidade de reanimação é maior nos primeiros 4 minutos, e em cada minuto que passa essa possibilidade decresce entre 7 a 10%. Sendo assim o pronto auxílio é essencial, não invalidando a activação do nº de emergência médica 112, que é indispensável para a posterior orientação e acompanhamento do doente para o hospital.

Em diversos países, nomeadamente nos EUA é estimulado o uso pela população não médica (polícias, bombeiros, assistentes de bordo, seguranças, etc.) destes aparelhos na comunidade, em articulação com os recursos da mesma, com a adequada formação, manutenção e monitorização da qualidade de cuidados. Por questões de responsabilidade legal, aplica-se neste país a lei do Bom Samaritano, para defender quem socorre. De qualquer forma, muitos destes DAE não permitem a interferência externa na cadeia de decisão de desfibrilhar ou não, só têm botão de ligar/desligar, sendo o choque dependente da avaliação do computador e não activado pelo socorrista. Alguns médicos recomendam o desfrilhador automático externo no domicílio de determinados doentes cardíacos.

O que é um desfibrihador cardioversor implantável?
O desfibrilhador cardioversor implantável é semelhante a um pace-maker (marca-passo), com o objectivo de monitorizar o ritmo cardíaco e administrar um choque se ocorrer um ritmo perigoso ( por exemplo taquicardia ou fibrilhação ventricular) num doente de risco para paragem cardíaca, com falência cardíaca ou resistência ao tratamento medicamentoso da sua arritmia. Não deve ser aplicado em doentes com patologias reversíveis ou temporárias.
Este aparelho consiste numa bateria e um circuito eléctrico de fios que se ligam ao músculo cardíaco através dos vasos sanguíneos. É implantado debaixo da pele, habitualmente perto do ombro esquerdo. São necessárias consultas de avaliação periódica. Alguns aparelhos eletromagnéticos podem interferir com este dispositivo.

Autor: Mário Santos

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