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Asma Ocupacional

O que é a asma ocupacional?
A asma ocupacional é um doença rara?
Quais as causas de asma ocupacional?
Como saber se tenho asma ocupacional?
Como a prevenir ?

O que é a asma ocupacional?
A asma ocupacional é definida como uma doença respiratória relacionada com a inalação de fumos, gases ou poeiras no local de trabalho. A exposição a estes agentes nocivos no local de trabalho, pode agravar uma asma brônquica já existente ou desenvolver-se pela primeira vez num trabalhador saudável. Muitos destes trabalhadores têm sido incorrectamente diagnosticados como tendo bronquite.

É importante saber que o intervalo de tempo entre o início da exposição a estes agentes e o aparecimento dos sintomas de asma é muito variável, podendo ir de meses a anos. Por outro lado, a asma pode persistir por um período prolongado, mesmo que o trabalhador esteja já afastado dos agentes causadores da sua doença.

A asma ocupacional é um doença rara?
A asma ocupacional é actualmente considerada nos países desenvolvidos como a doença respiratória ocupacional mais frequente. Contudo, o número exacto de novos casos de asma por exposição ocupacional é actualmente desconhecido. Pensa-se que 5 a 15% de todos os casos de asma nos adultos poderá estar relacionada com a sua profissão.

A incidência de asma ocupacional depende do tipo de profissão e dos agentes envolvidos. Por exemplo, os isocianatos são substâncias químicas utilizadas em larga escala em múltiplas indústrias (como sejam a pintura com sprays, isolamentos eléctricos e térmicos, plásticos, borrachas e espumas), que podem causar asma ocupacional em até 10% dos indivíduos expostos.

Outro exemplo importante no nosso país é na indústria têxtil, onde 12% dos trabalhadores expostos a fibras e poeiras do algodão, poderão vir a ter sintomas respiratórios relacionados com a sua actividade profissional.

Quais as causas de asma ocupacional?
As causas podem ser agrupadas em três diferentes mecanismos: irritantes, alérgicas e farmacológicas. Estão actualmente identificados mais de 300 agentes responsáveis por estes mecanismos.

Os agentes irritantes incluem por exemplo o ácido clorídrico, dióxido sulfúrico e amónia, presentes na indústria química e do petróleo. Estas substâncias são altamente irritativas para a árvore respiratória e podem por si só causar um ataque de asma, particularmente nos trabalhadores que já sofrem de asma ou de outras doenças respiratórias. Na grande maioria dos casos os sintomas ocorrem imediatamente após a exposição a esses agentes.

Os factores alérgicos desempenham um papel importante num grande número de casos de asma ocupacional. Quando este mecanismo está envolvido, há habitualmente um longo período de exposição no local de trabalho a um agente sensibilizante, antes de surgir a doença. São exemplos deste tipo de agentes os cereais e suas farinhas (responsáveis pela asma dos padeiros), as proteínas animais que podem originar alergias respiratórias em veterinários e trabalhadores de laboratório ou as bactérias Bacillus subtilus utilizadas na indústria dos detergentes. Ainda dentro deste tipo de mecanismo, a inalação das partículas de látex (proteína de origem vegetal utilizada na manufactura das luvas de borracha) estão na origem de um aumento crescente do número de profissionais de saúde com asma ocupacional.

O mecanismo farmacológico consiste na inalação de certas poeiras ou líquidos, capazes de levar à libertação de substâncias naturalmente presentes no nosso corpo. É o caso da libertação da histamina no pulmão com o consequente aparecimento dos sintomas de asma.

Como saber se tenho asma ocupacional?
Deverá ser orientado para uma Consulta de Especialidade, onde será avaliada a sua situação clínica. Durante a consulta você desempenhará um papel importante ao falar dos seus sintomas, ao descrever detalhadamente a sua actividade profissional e informar-nos da(s) substância(s) suspeita(s).

Para confirmação do diagnóstico serão efectuados alguns exames. O estudo da função respiratória (que pode ser efectuado por espirometria) e da reactividade dos brônquios (provocação brônquica inespecífica com metacolina) serão realizados em períodos de trabalho e de afastamento, para detectar se existem alterações. O médico poderá fornecer-lhe um aparelho para registar diariamente a sua capacidade de expirar o ar dos pulmões (Débito Expiratório Máximo Instantâneo - DEMI). Tal como um termómetro monitoriza a febre, o DEMI monitoriza de um modo prático a função pulmonar na asma. Poderá ter de fazer várias medições do DEMI ao longo do dia, em períodos de trabalho e de afastamento.

Quando é possível simular no laboratório as condições do ambiente de trabalho, poderá fazer um teste de provocação com o agente suspeito. Poderá fazer provas de sensibilidade cutânea para testar os alergénios suspeitos. Uma vez confirmado o diagnóstico, estará em condições de TRATAR a sua asma ocupacional e sobretudo de a PREVENIR !!!

Como a prevenir ?
Uma vez identificada a causa de asma ocupacional é fundamental o afastamento total dos agentes responsáveis. Uma alternativa é a recolocação do trabalhador dentro da mesma empresa, num posto de trabalho onde não ocorra esta exposição. Nos locais de trabalho em que existem agentes potencialmente nocivos, devem ser tomadas medidas tendentes a manter os níveis destes agentes o mais baixo possíveis no ar (por ex. através de sistemas de aspiração e exaustão) e monitorizando periodicamente esses níveis.

Por outro lado, os trabalhadores devem ter acesso a equipamentos de protecção individual, como por exemplo o uso de máscaras. Relativamente aos medicamentos que vai utilizar, deve cumprir rigorosamente o plano de tratamento em função da gravidade da sua asma, prescrito pelo seu médico.

Dr. José Luís Plácido

Apoio Institucional:
Responsabilidade e apoio científico da Sociedade Portuguesa de Alergologia e
Imunologia Clínica
spaic@spaic.pt
www.spaic.pt

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