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Antigénio específico da próstata (PSA)

O que é o antigénio específico da próstata?
Como é que o PSA pode ser medido?
Qual é o valor normal do PSA total?
Quais os métodos que aumentam a sensibilidade e a especificidade do PSA?
Qual é o papel do PSA no rastreio do cancro da próstata?
Quais são os principais aspectos controversos do rastreio pelo PSA?
Qual deve ser a periodicidade do rastreio pelo PSA?

O que é o antigénio específico da próstata?
O antigénio específico da próstata (PSA) é uma substância produzida exclusivamente por algumas células da próstata cuja função é liquidificar o sémen após a ejaculação. O PSA é também um marcador tumoral específico da próstata, porque o seu nível no sangue encontra-se aumentado na maioria dos casos de cancro da próstata. Define-se marcador tumoral como as substâncias produzidas pelas células neoplásicas ou induzidas pelo organismo hospedeiro na presença de uma neoplasia.

Como é que o PSA pode ser medido?
A maior parte do PSA é excretado pelo organismo através do sémen, no entanto, uma pequena quantidade passa para a corrente sanguínea, onde pode ser medida. A maior parte está ligado a proteínas e uma pequena proporção encontra-se por ligar, designada por PSA livre. Dado que a quantidade de PSA que se encontra normalmente do sangue é muito pequena, a sua detecção requer uma tecnologia de grande sensibilidade, recorrendo-se, por isso, à técnica dos anticorpos monoclonais.

Qual é o valor normal do PSA total?
O valor normal do PSA total no sangue corresponde a determinações menores a 4,0 ng/ml. No entanto, existem várias causas que podem afectar o valor do PSA total, nomeadamente: a doença benigna prostática, como a hipertrofia benigna da próstata ou a prostatite, e o carcinoma da prostata. Também a manipulação da próstata (ex: toque rectal ou biópsia prostática), a algaliação, a retenção urinária, o uso de medicamentos como a “finasterida” e a ejaculação, podem alterar os valores do PSA.

Estas várias causas anteriormente expostas levam a que o PSA total apresente uma baixa especificidade, pois somente em 25 a 30% dos homens submetidos a biopsia da próstata com valores superiores a 4 ng/ml foi diagnosticado carcinoma da próstata; e baixa sensibilidade, dado que uma percentagem não desprezível de homens biopsados com PSA total menor que 4,0 ng/ml apresentam carcinoma da próstata.

Quais os métodos que aumentam a sensibilidade e a especificidade do PSA?
Existem outros métodos de medição do PSA, que podem ser solicitados pelo médico em determinados doentes, para aumentar a especificidade e sensibilidade do PSA total:

· Densidade do PSA – trata-se de determinar o quociente entre o valor do PSA em ng/ml e o volume prostático em centímetros cúbicos por ecografia transrectal. Uma densidade de PSA menor que 0.15 é sugestiva de hiperplasia prostática benigna enquanto um valor acima de 0.15 levanta a suspeita de carcinoma da prostata.

· Velocidade do PSA - executam-se três determinações de PSA num ano e comparam-se os valores. Um aumento, num ano, superior a 0.75 sugere a existência de carcinoma da próstata. Existem valores de referência do PSA ajustados à idade, aumentando a sensibilidade da análise.

· Relcionar o PSA total e a idade do doente – à medida que o homem envelhece, aumenta o intervalo de valores do PSA, ou seja, entre os 40 e os 49 anos, o valor de referência varia de 0 a 2.5 ng/ml, a partir dos 70 anos, varia entre os 0 e os 6.5 ng/ml.

· Percentagem de PSA livre – determina-se pelo quociente entre o PSA livre e o PSA total, e multiplica-se por 100. Se o valor obtido for inferior a 20% existe a suspeição de carcinoma da próstata. Este método reduz os resultados falsos negativos e detecta mais carcinomas da próstata.

Qual é o papel do PSA no rastreio do cancro da próstata?
Existem três técnicas com a finalidade de detectar formas precoces do cancro da próstata em pessoas assintomáticas: toque rectal, ecografia prostática transrectal e doseamento do PSA no sangue. Apesar da sua utilidade no rastreio desta doença, o rastreio generalizado do PSA a toda a população do género masculino a partir dos 50 anos, mantém-se polémica.

Quais são os principais aspectos controversos do rastreio pelo PSA?
O rastreio do carcinoma da próstata tem como objectivo detectar os tumores que se tornarão sintomáticos e que influenciarão negativamente a qualidade e a esperança de vida de um indivíduo se o cancro não for diagnosticado precocemente. Alguns argumentam que 40% dos homens com idades compreendidas entre os 60 e 70 anos, têm focos microscópicos de cancro da próstata que não necessitam de tratamento, são chamados os tumores inofensivos, que são diagnosticados pela excessiva(?) detecção do rastreio generalizado, e submetidos a tratamento desnecessário.

Por outro lado, os defensores do rastreio universal aos homens a partir dos 50 anos defendem que existe uma correlação forte entre os valores do PSA e a probabilidade de se detectarem tumores da próstata significativos, ainda numa fase não sintomática. Outro ponto forte a favor do rastreio generalizado, refere-se ao facto de não se encontrarem tumores insignificantes em homens com menos de 60 anos. O PSA é o melhor marcador tumoral para a detecção de carcinoma da próstata, bem como para o seguimento da doença após o tratamento, seja este, a prostatectomia radical, terapêutica hormonal ou radioterapia.

Qual deve ser a periodicidade do rastreio pelo PSA?
A periodicidade do rastreio é também alvo de controvérsia. Parece que um intervalo de dois anos entre as determinações do PSA parece ser suficiente.

Autor: Dr Mário Santos

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