|
Porque é que só alguns doentes desenvolvem reacção a determinados medicamentos?
Os principais factores envolvidos são, por um lado, as características do sistema genético e imunológico do próprio doente e por outro, a natureza química do fármaco. Corre maior risco o doente com medicações múltiplas, sob terapêutica com beta bloqueantes, os doentes com urticária crónica, com SIDA, fibrose quística, Lupus, com exposição ocupacional a fármacos e ainda adultos ou crianças com antecedentes de alergia a medicamentos. Há casos em que o doente pode ter reacções devido à diminuição da eliminação do fármaco por lesão do fígado ou dos rins.
Apesar de poder ocorrer em qualquer idade estas reacções são mais raras em crianças e idosos.Nas crianças com infecções virais ou bacterianas, a interacção da penicilina com estes microorganismos, pode ser a causa da reacção adversa.
Os fármacos que mais frequentemente provocam reacções alérgicas são os antibióticos derivados da penicilina e as sulfonamidas, o aluporinol, os anti-convulsivantes e a medicação anti-arritmica.
São os administrados com maior frequência, em altas doses e as formas injectáveis que apresentam maior risco. A presença de antecedentes familiares de alergia à penicilina não deve contra-indicar a utilização de penicilina ou fármacos noutros indivíduos.
Também os anti-hipertensores do grupo dos inibidores de conversão da angiotensina, como o captopril e lisinopril, podem causar angioedema, urticária ou tosse em indivíduos susceptíveis.
Nos doentes com Asma ou com antecedentes de reacção a fármacos a terapêutica com bloqueantes beta adrenergicos está contra-indicada.
As reacções alérgicas aos fármacos utilizados no decurso da anestesia são situações raras, mas frequentemente graves.
Não existe evidência que crianças ou adultos atopicos apresentem maior factor de risco de alergia a fármacos. No entanto, parece que a presença de alergia predispõe ao aparecimento de reacções mais graves.
O que fazer perante uma suspeita de reacção alérgica?
O doente deve parar de imediato de tomar o(s) fármaco(s) de que suspeita e efectuar tratamento com anti-histaminicos. Deve guardar os medicamentos suspeitos e se tiver oportunidade tirar fotografias às lesões da pele, para permitir fornecer posteriormente uma informação mais correcta ao médico. Não há necessidade de suspender os medicamentos que toma há anos, apenas deve suspender o(s) que iniciou nas últimas semanas, mas é importante parar os medicamentos do mesmo grupo ou de um grupo farmacológico diferente, que apresente reactividade cruzada.
Numa segunda fase deve-se tomar apenas fármacos seguros. No caso de reacção à penicilina ou derivados deve administrar-se outro antibiótico de um grupo diferente da penicilina.
No caso de reacção ao ácido acetilsalicílico deve suspender todos os analgésicos e anti-inflamatórios. Estes doentes toleram em geral o tramadol e outros analgésicos centrais, o paracetamol e os novos anti-inflamatórios com inibição selectiva da ciclo-oxigenase 2, como o rofecoxibe e celecoxibe. Alguns doentes toleram ainda o nimesulide e meloxicam.
Pelo risco que comporta, a investigação de um fármaco alternativo deve ser efectuada apenas em meio hospitalar e num Centro especializado com experiência nesta área.