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Além da asma ocupacional existem outras doenças que são causadas por exposição a substâncias que existem no local de trabalho, nomeadamente rinite, conjuntivite e dermatite de contacto.
Assim, a identificação do agente etiológico é da maior importância, uma vez que a redução ou, de preferência, a remoção do agente pode resultar na cura potencial da doença em causa.
Existem múltiplos alergénios (animais e vegetais) capazes de provocar alergia ocupacional:
A alergia aos animais de laboratório é o problema de saúde ocupacional mais importante nas pessoas que estão expostas a estes animais; as pessoas afectadas são os cientistas, veterinários, tratadores e criadores de animais na indústria farmacêutica e centros de investigação. Os animais que mais frequentemente sensibilizam os trabalhadores são os ratinhos, as cobaias e os coelhos, através de proteínas presentes na urina, no pêlo, na saliva ou no sangue.
A sensibilização aos artrópodes (insectos, ácaros e crustáceos) tem sido referida em cerca de 30% das pessoas directamente expostas a eles. Estes elementos libertam grande quantidade de alergénio do seu pêlo, escamas e fezes, o qual faz parte do pó ou aerossol que se espira. Os entomologistas que estudam insectos são um exemplo de pessoas envolvidas neste tipo de sensibilização. As aratas e carochas têm sido referidas como possível causa de problemas alérgicos por exemplo em padarias...Também é conhecida a existência de doença respiratória na indústria da seda, onde há pessoas que respondem a todos os estadios metamórficos do bicho da seda. Os ácaros de armazenamento encontram-se numa variedade de produtos armazenados como grãos de cereais, farinha e feno em locais com elevada percentagem de humidade. Podem, assim, afectar trabalhadores agrícolas, armazenistas (de grão de cereal) e para padeiros. A criação de aves também tem sido associada com alergia aos ácaros, manifestando-se como doença respiratória. Os componentes dos crustáceos são proteínas que podem causar reacções alérgicas quando são aerossolizados durante o aquecimento ou, mais raramente, como proteínas na forma congelada. Os trabalhadores afectados são os pescadores, cozinheiros e trabalhadores de fábricas de processamento de marisco.
Uma outra causa importante de alergia ocupacional é a que ocorre em resposta à sensibilização às farinhas de cereais. Afecta, essencialmente, os trabalhadores das padarias e moinhos, causando-lhes conjuntivite e/ou rinite e/ou asma. Os principais cereais implicados são o trigo, o centeio e a cevada.
Existem também, cada vez mais, referências à alergia ao látex. Esta manifesta-se como asma, urticária ou reacções alérgicas mais generalizadas, ocorrendo em trabalhadores da indústria da borracha e em pessoal da área da Saúde que lida com luvas e outros produtos que contêm látex. A inalação de pó de madeira (madeiras exóticas) também tem induzido doença respiratória alérgica.
Existem fontes alimentares de doença ocupacional como: grão de café verde (indústria do café), óleo de rícino (indústria do óleo), pó de chá (trabalhadores das plantações e embaladores) e indústria de processamento de ovo.
Os enzimas são outro tipo de proteínas sensibilizantes, primariamente usados na indústria farmacêutica e alimentar, nomeadamente enzimas detergentes e enzimas proclíticos (ex. papaia da papaína e bromelina do ananás).
Existem outros produtos –químicos de baixo peso molecular– que podem induzir doença ocupacional: os anidridos ácidos, os sais metálicos, os isocianatos, as aminas e os fármacos.
Os anidridos ácidos são utilizados na manufactura de resinas usadas em tintas, vernizes, plásticos e adesivos.
Entre os sais metálicos incluem-se o níquel, o crómio, o cobalto, o zinco, a platina e o vanádio.
Os isocianatos têm uma utilização muito comum na indústria e uma reactividade química elevada pelo que são, actualmente, a causa primária de asma ocupacional em países industrializados. No grupo das aminas damos o exemplo de proteínas usadas na indústria da cosmética, no tratamento de peles, na indústria electrónica (colofonia usada como anticorrosivo) e em meio hospitalar (formaldeido). Também, determinados fármacos manuseadas na indústria farmacêutica – penicilinas, tetraciclina, cefalosporinas, sais de perssulfalto usados em produtos de cabeleireiro, sais de diazonium utilizados em fotocopiadoras e na indústria de polímeros, corantes utilizados na indústria têxtil foram identificados como agentes potencialmente causadores de doença ocupacional.
Drª Fátima Ferreira Jordão
Apoio Institucional:
Responsabilidade e apoio científico da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica
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