Acidente Vascular Cerebral (AVC) - Como se manifesta um AVC?
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Como se manifesta um AVC? Cada AVC é diferente e cada pessoa também. Por isso, o modo como cada doente é afectado pela doença varia muito. Varia com a zona do cérebro que é afectada, com o tipo de AVC (se uma homorragia ou um enfarte), com a causa do AVC, com os factores de risco presentes em cada doente, com o seu
estado de
saúde antes do AVC e também com o apoio que cada doente terá na sua reabilitação. Porque não há dois doentes iguais, nem tudo o que se encontra escrito nesta informação se aplica ao seu caso.
Dependendo muito do local do cérebro que foi afectado, os AVC manifestam-se não só por falta de força de um lado do corpo, mas também por dificuldade em falar, dificuldade em perceber o que se diz, sensação de encortiçamento ou formigueiro de um lado do corpo, podendo ser de metade da cara, do
braço e
mão ou da
perna e
pé ou de todas as partes. Podem ainda surgir dificuldades em ler ou escrever, em engolir, em ver ou em lembrar-se que um lado do corpo existe.
É diferente ter o lado esquerdo do cérebro ou o direito afectado? Para quem escreve ou come com a mão direita (dextro), um AVC que atinge o seu cérebro (hemisfério) esquerdo, para além de afectar a força e /ou a sensibilidade do lado direito, poderá afectar a
linguagem. Nas alterações da força ou sensibilidade do lado esquerdo, o mais frequente é que esteja afectado o lado direito do cérebro. Nestes casos o doente pode não prestar atenção ao lado esquerdo ou até esquecer que tem o lado esquerdo do corpo.
Quais são factores de risco? A causa dos AVC nem sempre se consegue descobrir, mas, há situações médicas (doenças) em que se sabe que os AVC são mais frequentes. É o caso dos doentes com
hipertensão arterial, aumento do
colesterol,
diabetes, nos fumadores, nos obesos, nas pessoas que fazem pouco exercício e não andam a pé, ou nos doentes cardíacos. Também a idade e o
sexo (feminino ou masculino) são factores de risco, mas estes não se podem alterar. É nos factores de risco modificáveis, como é o caso da hipertensão, que muitas das campanhas de
prevenção dos AVC se concentram.
Quanto é possível recuperar e quando se pode começar a reabilitação? Logo que se estabilize a situação clínica na chamada
fase aguda do AVC inicia-se a reabilitação, que consiste em diferentes técnicas que ajudam a recuperar o mais possível a função
anterior (como a pessoa era antes). As técnicas usadas dependem do que deixou de funcionar ou passou a funcionar menos bem no cérebro depois do AVC ou seja a reabilitação motora para as paralisias, a
terapia da fala para as alterações da linguagem. Algumas queixas desaparecem ou melhoram muito com o tempo e a reabilitação.
A quem devo recorrer se após a alta do hospital não conseguir resolver os novos problemas que a doença me trouxe? Ao seu
médico de
família, ao seu médico hospitalar, à enfermeira ou assistente social do seu centro de saúde, à assistente social do hospital onde esteve internado, soa técnicos de reabilitação e ao médico de
medicina física e reabilitação. Cada um destes elementos da equipa de
tratamento e reabilitação de doentes com AVC tem funções diferentes mas poderão orientá-lo para o colega mais adequado para resolver as suas dificuldades.
E quais são as minhas obrigações após o AVC? A mais importante é colaborar na reabilitação e seguir as indicações de toda a equipa, tomando a
medicação conforme prescrito. A sua vida pode ter de sofrer alterações significativas como deixar de trabalhar, deixar de ser independente, alterar hábitos alimentares e sociais (deixar de beber, de fumar…).
O que são Acidentes Isquémicos Transitórios? Alguns acidentes vasculares cerebrais são precedidos de sinais de alarme chamados Acidentes Isquémicos Transitórios (AITs).
Os AITs são causados pela interrupção temporária da circulação sanguínea numa zona do cérebro, e manifestam-se com o aparecimento súbito e transitório de:
• Falta de força ou
paralisia de um lado do corpo
• Sensação de encortiçamento ou formigueiro de um lado do corpo
• Perda de
visão, principalmente quando atinge um só
olho• Dificuldade em falar ou em perceber o que se diz.
Autoria: Grupo de Estudos das Doenças Cerebrovasculares da Sociedade Portuguesa de
Neurologia